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Fogo no parquinho!

Lembra quando algumas pessoas (eu, inclusive) afirmavam para quem quisesse ler (e ouvir) que a chegada da Xiaomi no Brasil de forma oficial não necessariamente era uma notícia boa? Eu mesmo dei risada dos preços adotados pela loja oficial, e questionei algumas estratégias comerciais da empresa (em parceria com a DL Eletrônicos) no Brasil.

O principal objetivo de toda empresa é obter lucros. E a concorrência sempre se incomodou com o crescimento de mercado da Xiaomi no Brasil de forma não-oficial, considerando que a empresa tinha vantagens desleais por não pagar impostos de produção, já que seus produtos eram comercializados no Brasil via importação.

Agora, a concorrência decidiu bater pesado em cima da Xiaomi. E a surpresa aqui é que até a DL Eletrônicos concorda com a concorrência.

 

 

O polêmico dossiê

 

 

Todo mundo sabe que a Xiaomi é a queridinha de muito geek brasileiro porque muitos dos seus produtos são comercializados por aqui por preços mais baixos do que os adotados pela empresa de forma oficial (va DL Eletrônicos). Além da concorrência desleal, a representante brasileira da marca perde esse lucro em potencial.

Por isso, o dossiê foi preparado pela concorrência da Xiaomi e pela própria DL Eletrônicos. Essa última porque quer defender o seu negócio no Brasil, e as demais porque querem uma competição mais justa.

O resultado? Mais de 30 mil produtos foram apreendidos na semana passada. Essa remessa seria comercializada via Mercado Livre, e com certeza chegou ao Brasil por meios “alternativos”, se é que você me entende.

De acordo com o Sefaz-SP (órgão que recebeu a denúncia), “todas as outras fabricantes” formalizaram a reclamação. O caso já estava em investigação por essa entidade quando o dossiê foi entregue. Nomes das concorrentes não foram mencionados, mas bem podemos imaginar quais são (nós também não vamos mencionar, mas pense nos principais protagonistas do mercado mobile no Brasil e naquelas marcas que querem ganhar o protagonismo depois de anos de investimentos em produtos).

 

 

O que é investigado é a prática de fraude em produtos da Xiaomi, com empresas de marketplace vendendo smartphones da marca com preços que chegam a ser a metade do valor cobrado pela DL Eletrônicos. E o principal motivo para que tais produtos alcançassem um valor tão mais baixo (e argumento que sempre pesou a favor dos produtos da Xiaomi) são os impostos que esses produtos deixam de recolher, uma vez que chegam ao mercado brasileiro via importação ou sem registro de entrada no país.

Em uma investigação que durou quatro meses, o Sefaz, constatou discrepâncias em notas fiscais eletrônicas e declarações de importação. Aqui, a entidade constatou o óbvio: os produtos vinham do Paraguai sem documentação e eram revendidas por empresas de fachada ou noteiras. Isso era feito por exigência do marketplace para armazenar a mercadoria, o que precisa estar coberto por uma nota fiscal.

Algumas empresas declararam a importação de mercadorias em outros estados, especialmente Rondônia e Alagoas, para pagar um valor menor de ICMS. O valor estimado dos 30 mil itens apreendidos é de R$ 3 milhões, e a remessa inclui tablets, 200 celulares e mais de 1.000 smartwatches.

Apesar da impossibilidade de menção de nomes das empresas pela investigação, as fotos da apreensão mostram vários produtos da Xiaomi, e a fonte da notícia insinua que a plataforma de comércio eletrônico envolvida no esquema é o Mercado Livre.

 

 

O que podemos aprender com tudo isso?

 

 

Que a chegada da Xiaomi no Brasil por enquanto traz mais problemas do que soluções. Até que demorou para a concorrência fazer alguma coisa para estragar a festa dos importadores, mas este era um movimento já insinuado por alguns envolvidos do setor.

É importante lembrar que nada disso nuda o fato que o Brasil sofre com uma carga tributária absurda, que encarece os produtos de tecnologia de forma colossal. Para muita gente, a única alternativa (e a mais sensata, dependendo do valor do produto) é a importação, pois comprar no mercado brasileiro é algo inviável.

Sem falar que a prática ajuda a manter várias famílias que optaram pelo mercado informal por não conseguirem um emprego no mercado formal. Tudo bem, podemos discutir a legalidade da prática, mas seria muito importante que se estabelecesse um sistema para facilitar a chegada desses produtos no Brasil, ou até mesmo um programa de benefícios fiscais mais relevante para os fabricantes.

É o típico problema onde todos os lados da questão precisam ser ouvidos e analisados. E não simplesmente criticar um dos lados sem se dar ao trabalho em ouvir os seus argumentos.

Muita calma nessa hora, galera!

 

Via UOL


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