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“A TIM Brasil não vale nada”!

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ATUALIZADO EM 29/08/2022 @ 10h32: tal e como imaginei que iria acontecer, a assessoria de imprensa da TIM Brasil entrou em contato comigo por causa deste artigo. Mas foi por um motivo justo: um erro de tradução realizado pela fonte do artigo. Foi enviado o artigo original da entrevista, cujo trecho da fala de Alessio Butti sobre a TIM Brasil (que será inserido também no corpo deste artigo) diz o seguinte (traduzido corretamente):

Key4biz.    E TIM Brasil?

Alessio Butti.   Estamos plenamente convencidos de que a  TIM  deve vender  a TIM Brasil . Porque? Simplesmente porque não consegue garantir os investimentos necessários para a  TIM Brasil , operadora de celular que também deve investir pesado em  5G . E se pensarmos na infraestrutura necessária, deve-se lembrar que o Brasil tem uma extensão territorial igual à de toda a Europa. Com a venda de sua participação na  TIM Brasil , cabe ressaltar que a  TIM poderia reduzir ainda mais significativamente a dívida da empresa. Aqui também não há nada ideológico, apenas uma estratégia industrial prudente e estamos satisfeitos em ver como outras forças políticas chegaram às nossas mesmas conclusões sobre o futuro da  TIM Brasil.

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Antes de continuar, eu quero deixar bem claro uma coisa.

O título deste artigo não expressa necessariamente a minha opinião sobre a operadora TIM Brasil, mesmo que eu tenha um histórico não muito favorável ou satisfatório com a operadora. Mas eu não podia perder a oportunidade de fazer um click bait com o tópico principal do texto.

Bom, vocês vão entender melhor onde quero chegar quando avançarem na leitura do artigo.

Logo, peço encarecidamente que o pessoal da assessoria de imprensa da TIM Brasil não fique chateado comigo, ou que boicote o TargetHD.net por causa do título do artigo.

De novo: não fui eu que disse isso.

 

Por que essa frase apareceu “do nada”?

Do começo.

Nos últimos meses, o mercado de telefonia móvel brasileiro ficou um pouco agitado com pelo menos três temas.

O primeiro é a venda da divisão móvel da Oi para as operadoras Vivo, TIM e Claro. Apesar de todas as complicações típicas de um processo que é complexo pela própria natureza, a migração de usuários está acontecendo sem grandes polêmicas, e as operadoras compradoras expandiram as suas respectivas participações de mercado.

O segundo tema é a chegada do 5G no Brasil. Ou melhor, nos 30% do território brasileiro que contam com uma legislação que permite a chegada das redes de última geração no Brasil. E, ainda assim, nas poucas capitais que receberam a novidade até agora (felizmente, Florianópolis está incluída na lista dessas cidades).

E o terceiro tema que está movimentando os bastidores do mercado de telefonia móvel no Brasil (e gerou a frase que inspirou a produção deste post) é a possível venda da TIM Brasil. E esse é um assunto que vai além do mundo da tecnologia.

É um assunto político.

 

Quem disse essa frase?

O autor da frase é Alessio Butti. E se você não sabe quem é ele, deveria saber. Principalmente se você é cliente da TIM Brasil, pois o possível futuro da operadora por aqui pode passar pelas mãos dele.

Butti é o representante para o setor de telecomunicações do “Irmãos da Itália” ou Fratelli d’Italia no idioma original. Se você não sabe, este é um partido de extrema direita que está disputando as eleições parlamentares no país, que estão marcadas para acontecer no dia 25 de setembro. E é um dos favoritos a assumir o governo local.

Apenas como referência: este é o mesmo partido que o piloto brasileiro e ex-campeão de Fórmula 1 Emmerson Fittipaldi se candidatou para concorrer a uma cadeira dentro do Parlamento Italiano.

Butti falou em recente entrevista para um site internacional quais são os planos do partido para o futuro da TIM Itália, onde o principal objetivo é modificar completamente a proposta de planejamento originalmente apresentada por Pietro Labriola, atual CEO da empresa.

Talvez não tenha ficado muito claro com o título do artigo, mas eu posso ajudar neste caso. Alesio Butti não concorda em nada com o plano de Labriola (que quer vender a infraestrutura como parte do plano industrial para o Grupo TIM), ao entender que o certo é vender a unidade de serviços, incluindo toda a carteira de clientes (ou seja, pessoas físicas e clientes coorporativos).

Para quem não sabe, a TIM é uma empresa que tem entre os seus sócios a Vivendi (holding francesa) e alguns fundos norte-americanos, como o KKR. A ideia de Butti é recuperar economicamente o Grupo TIM, e a infraestrutura da TIM Brasil tem mais valor como negócio do que o atendimento aos usuários.

Com a palavra, Alesio Butti:

“Estamos profundamente convencidos de que precisamos vender a TIM Brasil. Por quê? Porque não temos como garantir o investimento necessário para a TIM Brasil, uma operadora essencialmente móvel, que também precisa de muito dinheiro direcionado ao 5G. O Brasil tem área territorial igual à de toda a Europa. Com a venda da participação na TIM Brasil, cabe ressaltar, poderíamos reduzir bastante a dívida da companhia“,

Ou seja, tudo isso está acontecendo para reorganizar o setor de telefonia móvel na Itália. Se os planos funcionarem do jeito que Butti imagina, a base de clientes da TIM no país europeu seria negociada com as três principais competidoras dentro do mercado de telefonia móvel que atuam por lá: Vodafone, WindTre e Iliad.

Ao mesmo tempo, promoveria a queda do endividamento do Grupo TIM, mas mantendo a infraestrutura que serviria de ativo para a própria Itália.

 

A TIM Brasil vai acabar?

Não é bem assim.

Antes de 25 de setembro, nada muda. Porém, é no mínimo surreal pensar que uma eleição no parlamento italiano pode interferir na vida dos usuários brasileiros da TIM Brasil neste ponto.

O futuro é incerto, mas como tudo aponta para uma vitória do partido de extrema direita para o parlamento italiano, é possível imaginar que as mudanças devem acontecer, e a TIM Brasil fatalmente vai entrar no pacote de vendas do Grupo TIM.

Sobre o “a TIM Brasil não vale nada”, entendo que essa é uma expressão exagerada, sob vários aspectos.

A TIM Brasil vale alguma coisa, obviamente. Na verdade, muita coisa: com uma carteira de clientes enorme, uma participação de mercado nada desprezível e toda a infraestrutura que já está estabelecida por aqui, a operadora pode ser um grande negócio para alguma empresa que optar por adquirir a divisão nacional.

O que não pode (e, muito provavelmente, não vai) acontecer é uma hipotética compra da TIM Brasil por parte de Vivo e Claro. O mercado brasileiro não iria suportar um duopólio, e todos sairiam perdendo com isso.

A própria compra da Oi por parte de Vivo, Claro e TIM já levantou essa hipótese que é bem indigesta para todos nós. E quero acreditar que os órgãos brasileiros competentes não vão autorizar um avanço de uma negociação que resulte em um mercado de telefonia móvel cada vez menos competitivo por aqui.

Se a TIM Brasil realmente for vendida, será para um outro player que possa manter essa carteira de clientes e sua competitividade. E, mesmo assim, ainda acredito que tem alguma água para rolar embaixo dessa ponte antes de mudanças mais drásticas acontecerem por aqui.

Logo, se você é um atual cliente da TIM Brasil, pode ficar tranquilo, pois nada muda por enquanto. Porém, vale a pena ficar de olho no resultado das eleições parlamentares na Itália em 25 de setembro. Tal pleito eleitoral acabou de se tornar mais importante do que muitos aqui no Brasil poderiam imaginar.

E eu sei que a TIM adotou um dia o slogan do “viver sem fronteiras”. Mas jamais poderia imaginar que a extrema direita italiana iria selar o destino da operadora aqui no Brasil.


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