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A tal “proteção da privacidade” prometida pela Apple não passa de uma grande mentira

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A Apple mente. E todo mundo sabe disso. Me surpreende você ter acreditado em tudo o que ela disse ao longo desse tempo todo.

Quando Tim Cook apareceu no palco de uma apresentação da Apple em junho de 2021 com a palavra Privacy com uma variante do logo da Apple ao fundo, ele prometeu um maior nível de privacidade em seus dispositivos. E muitos usuários acreditaram nisso.

Porém, estamos em novembro de 2022, e a verdade chegou. Porque a verdade sempre chega. E descobriram que a Apple e Tim Cook mentiram para todos.

Mas… acredite, se quiser: a Apple afirma que mentiu “por uma boa causa”.

 

Onde a Apple mentiu para você

No primeiro parágrafo da política de privacidade para dispositivos com o sistema operacional iOS, é possível ler de forma clara: “a informação coletada não te identifica”. Ou seja, a Apple afirma que coleta dados que, em teoria, preservam o seu anonimato. Mas… será que é isso o que realmente acontece?

A Apple não falou nada sobre uma sigla: a DSID (Directory Services Identifier), que é um código permanente e imutável que está diretamente ligado ao seu nome e que é enviado para a Apple no mesmo pacote de outras informações estatísticas sobre os seus dispositivos e hábitos de uso.

Ou seja, saber qual é o DSID é o mesmo que saber o nome do usuário, já que essa informação está diretamente relacionada com a identidade de cada usuário, se atrelando a cada dado estatístico enviado. E não tem como desativar esse tipo de configuração ou desvincular essa informação dos dados que são enviados.

A Apple coleta dados estatísticos de uso do dispositivo até mesmo quando você desativa a opção “Compartilhar Dados do iPhone”, e isso gerou um processo contra a empresa por basicamente enganar os seus usuários. É importante lembrar que a Lei Geral de Proteção de Dados é clara sobre esse tema: qualquer informação que identifica “direta ou indiretamente” uma pessoa é considerada um dado pessoal, e essa informação é de exclusivo controle do usuário.

Obviamente, a Apple não falou absolutamente nada sobre isso.

 

A Apple está devendo muitas explicações

Os dados enviados incluem tudo o que os usuários fazem em tempo real no dispositivo, o que é uma enorme invasão de privacidade em si. O problema só foi descoberto porque o especialista em segurança Tommy Mysk usou um iPhone com jailbreak que permitiu decifrar o tráfico para ver exatamente quais são os dados que são enviados para os servidores da Apple.

Um iPhone sem jailbreak não permite esse tipo de verificação com facilidade, mas ao menos foi detectado que o tráfego era exatamente o mesmo nos dois dispositivos (com e sem jailbreak), o que confirmou a infração da Apple neste caso.

Por outro lado, a Apple pode muito bem desassociar os dados do DSID em algum momento do processo, e isso resolve o problema em teoria. Porém, não dá para ter certeza disso, já que a empresa não entra em detalhes sobre o seu sistema de coleta de dados.

O que sabemos é que a Apple não é a única que faz isso. Outras grandes empresas de tecnologia se valem do conceito de “privacidade diferenciada” para mascarar os dados coletados sob o pretexto de falsa proteção da privacidade do usuário.

Enquanto isso, a própria Apple vai aumentando os locais de exibição de publicidade para os usuários em seus aplicativos e serviços, algo que foi muito criticado por todos. E tudo leva a crer que a empresa não vai voltar atrás nessa decisão.

Por fim, vale a pena enfatizar a hipocrisia da Apple ao resgatar a fala de Tim Cook em 2018: “algumas empresas afirmam que precisam de todos os seus dados para tornar os seus serviços melhores; não acredite nelas”.

Olha só como o jogo virou, não é mesmo?


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