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A Samsung (finalmente) aprendeu a fazer smartphone dobrável fino

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Depois de seis longos anos de experimentação, tropeços e algumas doses generosas de teimosia corporativa, a Samsung finalmente conseguiu algo que parecia impossível: fazer um celular dobrável que não causa constrangimento quando você tira do bolso.

O Galaxy Z Fold7, anunciado no Galaxy Unpacked 2025 em Nova York no dia 9 de julho, representa não apenas o ápice da engenharia de dobráveis, mas também a prova de que às vezes vale a pena insistir numa ideia maluca até ela fazer sentido.

Neste artigo, vou mostrar como foi essa jornada de evolução do bloco de construção para um smartphone ultrafino e elegante.

 

Por que alguém pensou que isso seria uma boa ideia?

Quando a Samsung lançou o primeiro Galaxy Fold em 2019, a empresa estava essencialmente apostando que o futuro dos smartphones passaria por uma reinvenção completa do formato.

Não bastava mais ter telas maiores, processadores mais rápidos ou câmeras melhores – era preciso literalmente dobrar fisicamente o dispositivo.

Parecia algo simples, mas não era. Nunca foi.

Imagine ter um smartphone normal que vira tablet quando necessário. Uma premissa sedutora para qualquer geek, certo?

O problema é que entre a teoria e a prática existe um abismo composto por termos como “engenharia de materiais”, “física dos componentes” e “comportamento real do usuário”.

E foi exatamente nesse abismo que a Samsung decidiu pular de cabeça.

 

2019 – Galaxy Fold: um frankenstein

O primeiro Galaxy Fold chegou como um manifesto de audácia tecnológica: 17,1 mm de espessura quando dobrado e 7,6 mm aberto.

Para colocar isso em perspectiva, um iPhone 11 da mesma época tinha 8,3 mm de espessura.

Ou seja, o Galaxy Fold dobrado era mais que o dobro da espessura de um smartphone convencional.

Mas o problema não era apenas estético. Carregar um dispositivo de 17,1 mm significava lidar com um objeto que mais parecia um controle remoto antigo do que um telefone.

A tela de 7,3 polegadas quando desdobrada era impressionante, mas o custo em portabilidade era brutal.

A Samsung estava basicamente dizendo o seguinte para o seu consumidor (e, por tabela, para o mercado):

“Olha, conseguimos fazer isso funcionar, mas não perguntem sobre praticidade ou portabilidade neste primeiro momento”.

O mais interessante é que, mesmo com todas as limitações, o Galaxy Fold original estabeleceu o DNA da categoria.

A ideia de ter uma tela externa para uso rápido e uma tela interna para produtividade era genuinamente revolucionária.

O problema era que a execução parecia mais um protótipo de laboratório do que um produto comercial.

Mas era apenas o primeiro passo de uma longa jornada.

 

2020 – Galaxy Z Fold2: a primeira tentativa de civilizar o conceito

Com o Z Fold2, a Samsung começou a entender que fazer um dobrável não era apenas sobre conseguir dobrar uma tela – era sobre criar um produto que as pessoas realmente quisessem usar.

A “Dobradiça Oculta” (Hideaway Hinge) foi o primeiro sinal de que a empresa levava a sério a engenharia de precisão.

Mais de 60 componentes internos trabalhando em harmonia para criar uma “curvatura mais suave e flexível”. E isso não era apenas marketing, era uma necessidade técnica real.

Cada componente da dobradiça precisava ser projetado para suportar milhares de ciclos de abertura e fechamento, mantendo a precisão mecânica e a durabilidade.

A redução para 16,8 mm dobrado e 6,9 mm aberto pode parecer marginal, mas representava uma melhoria significativa na experiência do usuário.

Cada milímetro economizado significava menos volume no bolso, menos peso na mão e, principalmente, menos constrangimento social.

Tudo o que o proprietário de um dobrável NÃO queria era parecer “animado demais” para a mulher com quem ele iria se encontrar em um jantar romântico na terça-feira à noite.

O Z Fold2 também introduziu melhorias na integração da dobradiça com o corpo do dispositivo.

Não era mais um componente que parecia colado depois – era uma parte integral do design.

Isso mostrava que a Samsung estava começando a pensar nos dobráveis não como experimentos, mas como produtos reais e funcionais.

 

2021 – Galaxy Z Fold3: o sobrevivente que amadureceu

O Z Fold3 foi o primeiro da linha a realmente parecer um produto devidamente amadurecido, deixando para trás o ar de protótipo mal finalizado.

Com 16,0 mm dobrado e 6,4 mm aberto, as melhorias em espessura eram incrementais, mas as inovações em funcionalidade eram revolucionárias.

A compatibilidade com S Pen foi um divisor de águas. Pela primeira vez, um dobrável oferecia a funcionalidade completa de produtividade que justificava ter uma tela grande.

Não era apenas sobre consumir conteúdo – era sobre criar, editar, desenhar, anotar. Era sobre ser produtivo no dia a dia.

A Samsung estava finalmente respondendo à pergunta: “Por que eu precisaria de um celular dobrável?”

A resistência à água IPX8 foi ainda mais significativa. Fazer um dispositivo com dobradiça complexa e múltiplas vedações ser resistente à água é um desafio de engenharia impressionante.

A Samsung estava mudando o discurso para o público:

“Não é mais um brinquedo frágil de laboratório. É um smartphone de verdade que funciona na vida real”.

O Armor Aluminum aplicado em todo o dispositivo mostrava que a durabilidade passou a ser uma prioridade para um telefone tão caro.

E a tecnologia Sweeper aprimorada para impedir a entrada de poeira e partículas na dobradiça demonstrava que a Samsung estava aprendendo com os problemas reais que os usuários das gerações anteriores do produto relataram na internet e em fóruns especializados.

 

2022 – Galaxy Z Fold4: a engenharia prática finalmente apareceu

O Galaxy Z Fold4 representou um momento de maturidade na abordagem da Samsung.

A substituição do mecanismo de engrenagem por um mecanismo de movimento linear foi uma decisão puramente pragmática, mas extremamente eficiente.

Menos componentes significam menos pontos de falha, menor complexidade de manufatura e, consequentemente, maior confiabilidade.

A redução para 15,8 mm dobrado e 6,3 mm aberto pode parecer incremental, mas estava acompanhada de melhorias significativas em peso e ergonomia.

Pela primeira vez, um Galaxy Z Fold não parecia um sacrifício em termos de portabilidade. Era apenas um smartphone um pouco mais grosso que os demais.

E, em troca da espessura maior, temos uma tela bem maior, que entra em ação quando o usuário mais precisa.

A reformulação da dobradiça também trouxe benefícios em termos de precisão. O mecanismo linear oferecia uma sensação mais consistente e confiável ao abrir e fechar o dispositivo.

Era a diferença entre um protótipo que funcionava e um produto que inspirava confiança.

 

2023 – Galaxy Z Fold5: uma gota d’água que fez toda a diferença

O Galaxy Z Fold5 foi onde a Samsung finalmente resolveu um dos problemas mais constrangedores dos dobráveis: aquele vão irritante quando o celular estava fechado.

Sério, eu conheço muitas pessoas que sofreram de TOC com esse espaço entre as telas. E essa falha meio que matava a experiência de uso do produto.

A Flex Hinge, com seu mecanismo inovador de quatro eixos de transmissão, permitiu que a tela se curvasse em formato de gota d’água.

Isso pode parecer um detalhe técnico e muito pequeno, mas o impacto na experiência do usuário foi enorme.

Eliminar o vão não era apenas uma questão estética. Era sobre tornar o dispositivo mais compacto, mais resistente a poeira e partículas, e mais confiável no dia a dia.

A redução para 13,4 mm dobrado e 6,1 mm aberto finalmente colocou o Z Fold5 no território de “smartphone grosso, mas aceitável”.

Pela primeira vez, a Samsung tinha um dobrável que não causava constrangimento quando colocado ao lado de smartphones convencionais.

O formato de gota d’água também minimizou o vinco da tela – aquela marca irritante que lembrava constantemente que você estava usando um dispositivo experimental.

Com menos vinco, a experiência de uso da tela interna se aproximava mais da experiência de um tablet convencional.

 

2024 – Galaxy Z Fold6: quase lá, mas ainda não era isso

O Galaxy Z Fold6, com seus 12,1 mm dobrado e 5,6 mm aberto, representava a Samsung finalmente chegando perto do objetivo.

A dobradiça simétrica de trilho duplo melhorava a mecânica do movimento de dobra, mas também oferecia uma versatilidade real ao dispositivo.

A capacidade de dobrar em vários ângulos entre 75 e 115 graus transformava o dispositivo em algo mais próximo de um laptop miniaturizado.

Era possível posicionar o Z Fold6 em diferentes configurações para videochamadas, digitação, visualização de conteúdo – a flexibilidade finalmente fazia sentido prático.

Mas ainda havia a sensação de que faltava algo. Na verdade, qualquer dispositivo de tecnologia sempre pode ser melhor – incluindo o próprio Galaxy Z Fold7.

O Z Fold6 era um excelente dobrável, mas ainda não era um excelente smartphone.

Pecava em alguns aspectos como autonomia de bateria e compatibilidade com a grande maioria dos softwares disponíveis.

A diferença pode parecer sutil, mas era fundamental: uma coisa é ser um produto de nicho para entusiastas, a outra – bem diferente – é ser um produto mainstream.

 

2025 – Galaxy Z Fold7: o milagre finalmente aconteceu!

E chegamos ao presente, onde a Samsung finalmente conseguiu criar algo que parecia impossível para muitos descrentes: um dobrável que funciona como um smartphone normal.

Com 8,9 mm dobrado e 4,2 mm aberto, o Z Fold7 não é apenas o Galaxy mais fino da história, como também é o primeiro que você não precisa justificar para ninguém por que está usando esse tijolo enorme no bolso da frente da calça.

A Armor FlexHinge é o resultado de anos de iteração e refinamento, sendo uma solução completa de dobradiça, em um design melhorado, durável, compacto e funcional.

A Samsung finalmente entendeu que a inovação não serve de nada se compromete a experiência básica do usuário.

A expansão da tela externa para 6,5 polegadas (contra 6,3 polegadas do Z Fold6) pode parecer marginal, mas é estratégica.

Uma tela externa maior significa que você precisa abrir o dispositivo menos vezes para tarefas básicas.

A decisão mostra que a Samsung entendeu qual é a diferença entre um dobrável que você usa porque tem que usar e um que você usa porque quer usar.

A tela principal de 8,0 polegadas quando desdobrada – 11% maior que a do Z Fold6 – finalmente oferece espaço real para produtividade.

É uma tela grande, sim. Mas é também uma tela utilizável, com proporções que fazem sentido para multitarefas, leitura, edição de documentos e criação de conteúdo.

 

Uma lição de persistência (ou de teimosia)

Os dados da evolução revelam uma verdade mais do que evidente e, ao mesmo tempo, peculiar sobre inovação tecnológica.

A Samsung levou seis anos para reduzir a espessura dos dobráveis em menos de 50%. Mais revelador ainda: 26% dessa redução aconteceu apenas no último ano, entre o Z Fold6 e o Z Fold7.

Isso sugere que a Samsung finalmente encontrou uma abordagem de engenharia que funciona, após anos de tentativa e erro.

As primeiras quatro gerações (pelo menos) foram essencialmente protótipos comerciais – produtos que funcionavam, mas não eram ideais.

O Z Fold7 representa o primeiro produto da linha que parece ter sido projetado do zero para ser um smartphone, e não um protótipo ou experimento.

Ponto para a Samsung neste caso.

A redução de 29% na espessura total ao longo de seis gerações (2019-2024) seguida por uma redução adicional de 26% em apenas um ano (2024-2025) indica que a Samsung pode ter finalmente dominado a tecnologia fundamental dos dobráveis.

O sucesso do Galaxy Z Fold7 pode finalmente validar uma categoria inteira de produtos, beneficiando inclusive a concorrência da própria Samsung.

Durante anos, os dobráveis foram vistos como uma curiosidade tecnológica, uma solução em busca de um problema.

Mas a persistência da Samsung em refinar a tecnologia, apesar dos desafios iniciais, criou uma nova categoria de dispositivos que oferece funcionalidade genuinamente diferente.

Se a Samsung conseguiu fazer um dobrável que funciona como um smartphone normal, outros fabricantes terão que seguir o exemplo ou ficar para trás.

A categoria deixou de ser experimental e se tornou competitiva. Uma reencarnação do “smartphone premium de luxo” em um formato diferente do convencional.

A evolução dos Galaxy Z Fold é uma master class em como NÃO lançar uma categoria de produto (com tantos erros pelo caminho), mas também em como a persistência pode eventualmente levar ao sucesso.

A Samsung essencialmente usou seus clientes como beta testers por seis anos, cobrando preços premium por produtos que eram, objetivamente, comprometidos.

Mas essa abordagem também permitiu que a empresa refinasse a tecnologia iterativamente, aprendendo com feedback real de usuários reais.

Cada geração resolveu problemas específicos identificados na geração anterior, resultando em uma evolução constante.

O Z Fold7 representa não apenas o amadurecimento de uma categoria, mas também a validação de uma filosofia de inovação baseada em iteração persistente.

Às vezes, a melhor maneira de criar algo revolucionário é começar com algo imperfeito e melhorar constantemente.

Com o Galaxy Z Fold7, a Samsung finalmente criou um dobrável que pode competir diretamente com smartphones convencionais em termos de praticidade, mantendo as vantagens únicas da tecnologia dobrável.

Isso sugere que estamos entrando em uma nova fase da categoria.

Os próximos anos provavelmente verão uma explosão de inovação em dobráveis, agora que a tecnologia fundamental foi dominada.

Outros fabricantes terão que responder, e a competição resultante beneficiará todos os usuários.

A jornada dos Galaxy Z Fold também estabeleceu um precedente para outras categorias de produtos experimentais.

Às vezes, a inovação genuína requer anos de treino e resiliência.

O importante é não desistir na primeira dificuldade.

Tal e como a Samsung fez com a série Galaxy Z Fold.

 

Via Samsung Newsroom


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