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Não podemos dizer que tivemos surpresas sobre os preços dos novos smartphones top de linha da Samsung. E a gente sabia que seria assim. Os novos modelos Galaxy S10 são caros. Alguns mais caros do que o esperado. E a pergunta é: será que a Samsung errou na mão nesses preços?

Eu entendo perfeitamente que sempre vai existir o fator I+D na hora de estabelecer um preço para um novo produto. Considerando as novas tecnologias de câmeras, o leitor de digitais integrado na tela, o novo formato de tela com design Infinity-O e outros pequenos detalhes somados, acabamos pagando mais caro pelas inovações de um produto.

Porém, muitos consideram as melhorias pontuais, e usam esse argumento para adquirir modelos das gerações anteriores ou para não trocar o modelo atual. O consumidor não está aceitando com tanta facilidade um smartphone custar mais de US$ 1.000, ainda mais com os modelos de linha média cada vez mais completos.

E, principalmente, com os fabricantes chineses entregando dispositivos excelentes custando 1/3 do valor que a Samsung cobra. Aliás, é uma péssima notícia para os coreanos a Xiaomi apresentar o Mi 9 e companhia com preços muito mais racionais do que a linha Galaxy S10, mas carregando as mesmas especificações.

OK, a Samsung trabalha com essa tecnologia de forma diferente que a Xiaomi, e tende a entregar uma experiência de uso melhor. Mas isso também é relativo. A maioria só quer um smartphone que funcione, e não que comprometa o seu rim no ato da compra.

 

Sinceramente? É difícil acreditar que o Samsung Galaxy S10 terá vida fácil no mercado custando mais de 1.000 euros lá fora. Especialmente no caso do Galaxy S10+ Edição Especial custando mais de 1.600 euros (acima daquilo que o Evan Blass chegou a especular). E eu nem estou falando do volume de vendas, pois uma Edição Especial tem poucas unidades.

Estou falando da tal barreira psicológica que esses números podem causar no consumidor. Colocar um produto com preço proibitivo ao lado de outro com um valor mais razoável apenas para que o segundo produto não pareça tão caro não vai funcionar de forma tão simples quando falamos do mercado de smartphones.

De novo: o mercado estagnou.

A maioria dos clientes em potencial do Galaxy S10 já está com um smarpthone top de linha no bolso, e isso não deve mudar por pelo menos dois anos (ou mais, dependendo do tipo de usuário). E apenas aqueles que estão dispostos a pagar pelas inovações vão pagar o preço que for para ter um novo produto nas mãos.

 

 

Eu não sei até quando os grandes fabricantes de tecnologia vão insistir em seguir cobrando o que querem por um produto apenas por entenderem que podem fazer isso. Não podem viver de nome a vida toda. Não aprenderam com o passado (Nokia, BlackBerry, Motorola, Siemens, etc). E nem estão aprendendo com o mercado estagnado do presente.

É bom a Samsung rever posicionamentos e estratégias. Caso contrário, a Huawei vai mesmo ultrapassar em volume de vendas. E o primeiro passo para isso acontecer são os proibitivos preços da linha Galaxy S10.


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