
As coisas mudam. E em alguns casos, elas se transformam.
A mesma OpenAI que, em várias oportunidades no passado, se demonstrou preocupada (até demais) com os tipos de conteúdo gerados e consultados pelos usuários no ChatGPT (inclusive com a preocupação com uma maior autonomia de raciocínio de seus modelos), mandou tudo para o espaço ao permitir a interação erótica dentro da plataforma.
A mudança de política de uso do ChatGPT acontece de forma efetiva em dezembro de 2025, e tudo isso acontece mediante uma enorme pressão de maior lucratividade da plataforma de inteligência artificial.
Poderia até não julgar a decisão ao olhar para a sangria desenfreada que o ChatGPT gera nos aspectos financeiros. Só me pergunto se o Sam Altman realmente precisava apelar para isso, já que este é um claro sinal de desespero em nome do dinheiro.
OpenAI desesperada por dinheiro
A política atual da OpenAI proíbe totalmente a geração de material sexual, sugestivo ou erótico, mesmo sob pedido explícito. A mudança representa uma virada completa na identidade pública da empresa.
Em agosto de 2024, o próprio Altman havia afirmado que decidiu não colocar um “avatar de bot sexual” no chatbot, considerando isso positivo para o mundo, embora não necessariamente para vencer a corrida da inteligência artificial.
A nova posição evidencia a urgência financeira enfrentada pela companhia, algo que vou chamar de “desespero corporativo”, apenas para deixar tudo mais divertido.
Apesar de projetar receita de 12 a 13 bilhões de dólares até o final de 2025, a OpenAI estima perdas acumuladas de 8 bilhões de dólares no mesmo período, principalmente devido aos custos de treinamento e execução de modelos em grande escala.
É um dinheiro que vai embora para nunca mais voltar. E a única forma de equilibrar as contas neste caso foi criar soluções que reforcem o tempo de retenção dos usuários no serviço.
A empresa gasta cerca de 700 mil dólares por dia com aluguel de escritórios, funcionários e infraestrutura, sendo a maior despesa relacionada ao poder de computação fornecido pela Microsoft.
Isso, sem falar nos custos para fazer não só o ChatGPT, mas todas as demais soluções tecnológicas da OpenAI funcionar de forma correta e sem interrupções.
Alguém tem que pagar essa conta. Logo, os carentes, solitários e tarados que paguem.
E com tudo isso, o ChatGPT vai ficar mais caro
Documentos internos divulgados em setembro de 2024 indicam planos para aumentar gradualmente o valor das assinaturas — o preço do ChatGPT Plus, atualmente em 20 dólares, pode mais que dobrar para 44 dólares até 2029.
Pode ser um cenário um tanto quanto apocalíptico, mas totalmente crível. A própria Microsoft deu essa lição em todo mundo quando inflacionou os preços do Xbox Game Pass em 100% no Brasil, apostando na dependência dos usuários à proposta.
Diante desse cenário, a OpenAI está se tornando criativa na busca por novas receitas. E mesmo com todos os questionamentos éticos, não podemos culpá-la por tentar.
O plano de cinco anos da empresa para reforçar a sua monetização inclui explorar contratos governamentais (como o acordo de 1 dólar anual com o governo dos EUA para o ChatGPT Enterprise), ferramentas de compra integradas, serviços de vídeo através do Sora, hardwares de consumo em parceria com o ex-designer da Apple Jony Ive, e até se tornar fornecedora de computação através do projeto de data centers Stargate.
A monetização do erotismo se insere nessa estratégia ampla de diversificação de receitas, deixando para todos nós a lição mais do que evidente que tudo o que Sam Altman disse até então era uma retórica que caiu rapidamente quando as contas pararam de fechar.
Cabe a cada um lidar com isso da melhor maneira. Seja ativando os filtros de segurança do ChatGPT, usando uma boa VPN ou simplesmente interagindo com o chatbot de forma mais adulta e sugestiva.
Por incrível que pareça, no final, a escolha é do usuário, de alguma forma.
Via The Verge
