
Agora, tudo se encaixa.
Está mais do que explicado todo o desespero que a Microsoft demonstra para que o Xbox obtenha lucros a todo custo. Se antes tudo se resumia em um equipamento controlado por um processador, um joystick ergonômico e jogos em disco, agora temos um ecossistema que é pressionado a render dinheiro em escala industrial.
Ou pelo menos a Microsoft deseja isso. Só não sei se consegue.
Afinal de contas, documentos vazados revela que a gigante de Redmond exige uma margem de lucro de nada menos que 30% na divisão Xbox… em um setor que, em média, tem lucratividade entre 10% e 12%.
As consequências do desespero capitalista

É claro que eu entendo perfeitamente que uma empresa do tamanho de uma Microsoft precisa render lucros de forma constante. O que eu não entendo é que a porcentagem precisa ser tão alta, em níveis considerados surreais.
Como efeito colateral da sanha capitalista, a Microsoft levou os últimos anos (desde 2023 essa filosofia de rentabilidade foi estabelecida) adotando estratégias e decisões controversas, que passam bem longe de serem sustentáveis a médio e longo prazos.
Fechar vários estúdios ao redor do mundo, cancelar projetos de jogos em desenvolvimento (que resultaram em perdas financeiras do mesmo jeito) sair do Brasil da forma como aconteceu (sem a produção de consoles e encerrando a comercialização de jogos) e aumentar os preços do Game Pass de forma (quase) obscena são apenas algumas dessas medidas.
E tudo isso, para cobrir o rombo financeiro que a compra da Activision Blizzard King deixou nos cofres da gigante de Redmond, no mais puro suco de desespero em recuperar as óbvias perdas financeiras vindas dessa compra.
Só eu estou achando que a conta NUNCA vai fechar?

Ao que tudo indica, sim. Mas acredito que os gamers naturalmente darão indícios de que todos os movimentos da Microsoft nos últimos anos em relação ao Xbox não só são controversos, mas problematicamente equivocados.
Fechar estúdios fará com que a estrutura interna de profissionais fique fragilizada para o desenvolvimento de novos jogos. Aliás, a escassez de títulos uma hora deve bater na porta do Xbox, que só terá os jogos de sua própria desenvolvedora.
Games que não serão exclusivos do Xbox. Lembra?
Sobre o Brasil, nem sei se vale reclamar muito, pois isso é comportamento de esposa traída pelo marido que tem 40 anos de casamento. E o aumento de preços do Game Pass já teve os seus efeitos colaterais em forma de cancelamentos em massa das assinaturas.
A impressão que fica é que a Microsoft está completamente perdida nos aspectos criativos e no direcionamento de negócios. A empresa até sabe o que quer fazer com o Xbox (colocar a filosofia gaming em qualquer dispositivo), mas não sabe exatamente como fazer isso.
Não será surpresa algumas se boa parte do coletivo gaming que ainda está no Xbox perceber que esse barco afundou de vez, olhar para o lado e dizer “aí, Sony… será que você me aceita do jeito que eu sou?”.
Até porque o PlayStation consegue viver bem com “apenas” 10% de lucro por console ou jogo vendido. Principalmente quando o público aumenta porque a coleguinha não soube cuidar bem do fiel jogador do Xbox.

