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Em pleno 2020, com velocidades de internet muito mais rápidas do que aquelas encontradas em 1990, não temos uma internet tão rápida quanto esperado. Pelo contrário: ela está ficando cada vez mais lenta, com sites mais e mais pesados.

 

 

 

Chovendo no molhado

 

 

Em 1997, a consultora Nielsen Norman Group (NNG) analisou as conexões de internet na época, quando tudo isso aqui era mato, não tinha tantos internautas e as conexões por modem era a única opção para a maioria dos usuários. E naquele tempo, todo mundo queria tempos de carga das páginas web muito menores do que os experimentados.

A recomendação dos especialistas na época era a redução do tamanho das páginas web, com um uso limitado de imagens e conteúdos multimídia. Pois bem, duas décadas depois, nada mudou: queremos o mesmo, e os sites são cada vez mais pesados.

As paginas web não pararam de crescer em tamanho de lá para cá. Hoje, o tamanho médio de uma página para desktops é de 2 MB, enquanto que a versão móvel pesa 1.8 MB. Uma internet mais rica e completa também é mais cara, onde a experiência mais completa cobra mais dados de todos os envolvidos no processo.

As petições em Javascript cresceram de forma notável nos últimos anos, já que a monitorização das atividades dos internautas aumentou. Scripts que coletam tudo o que fazemos resulta em lastro de navegação, sem falar na publicidade em todos os sites (incluindo o nosso).

Ou seja, estamos indo de mal a pior na tentativa em deixar a internet mais leve. E os Estados Unidos é uma pequena amostra desse problema: mesmo com a velocidade de internet multiplicada por 10 na última década, o tamanho médio de carga de páginas é mais ou menos o mesmo daquele registrado em 2010, quando não é pior.

O cenário é especialmente alarmante quando olhamos o consumo da internet nos smartphones, onde a velocidade de internet aumentou assustadoramente, assim como o tempo de carga das páginas. E outros estudos similares chegaram às mesmas conclusões: a análise do Backlinko mostra que uma página web leva quase o dobro de tempo (87,84%) para carregar em um smartphone do que em um PC desktop ou notebook, e em ambos os casos, o tempo médio de carga é exagerado (4,8 segundos nos desktops, 11,5 segundos nos smartphones).

 

 

 

Uma internet brilhante, menos na navegação web

 

 

A internet está mais rápida do que nunca, mas a navegação web ainda é um desastre.

Os vídeos na web como força dominante só piora a situação. A reprodução automática de publicidade é algo persistente, mesmo com os bloqueadores dos navegadores.

Por outro lado, a evolução da velocidade de conexão de internet resultou em evoluções tecnológicas e até mudanças de comportamento ou consumo de conteúdo. Sem ela, Netflix e YouTube não seriam possíveis, e todo um mercado de serviços de streaming jamais teria surgido.

O mesmo podemos dizer da música e dos videogames, que foram reformulados com o streaming e com os jogos multiplayer. Cada vez mais fazemos coisas na nuvem, pois a experiência atual é similar à oferecida pelas nossas unidades de armazenamento, com vantagens muito mais palpáveis.

A internet ganhou um terreno enorme, mas a navegação na web continua capenga. E isso, mesmo com tecnologias como o CDN e o Google AMP aliviando o problema. Ainda resta muito a ser feito para que a experiência de navegação na internet seja algo muito mais próximo do que sempre sonhamos.

 

 

Via NNG (1997), NNG (2020), Backlinko


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