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A IA virou a trilha sonora da Geração Z

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É claro que artistas como Lady Gaga e Bad Bunny precisam ficar seriamente preocupados com o futuro de suas respectivas carreiras. Se não bastasse o plágio de suas músicas turbinado pela Inteligência Artificial, agora temos o cenário onde os chatbots estão se tornando os artistas preferidos da Geração Z.

A inteligência artificial deixou de ser apenas e tão somente um tema de debate ético entre plataformas e artistas, mas um elemento incorporado ao consumo cotidiano de música. Algo que, sinceramente, era mais do que esperado e praticamente inevitável.

Hits criados com IA avançam nas paradas enquanto serviços como o Spotify removem milhões de faixas consideradas spam, em uma tentativa de estabelecer um certo controle de qualidade no conteúdo que é publicado na plataforma, mais ou menos do mesmo jeito que o Google está fazendo no YouTube com os canais dark automatizados.

Vamos entender melhor o que está acontecendo, até mesmo para descobrir se a Taylor Swift será substituída pelo ChatGPT com o Suno AI (e se vamos sair ganhando com isso de alguma forma).

 

O cenário de momento

Dados da Pesquisa de Hábitos de Áudio da Morgan Stanley, elaborada pela Alphawise, mostram que a população de um modo geral já consome música gerada por IA de forma consistente. Em média, 36% dos entrevistados nos Estados Unidos ouvem esse tipo de conteúdo por 1,7 hora semanal, sinalizando que a tecnologia deixou de ser experimental.

O impacto é ainda mais expressivo entre jovens de 18 a 29 anos, onde 60% afirmam ouvir música feita por IA por cerca de três horas por semana. Os Millennials (com idades entre 30 e 44 anos hoje) aparecem logo atrás, enquanto a geração X demonstra menor adesão, reforçando uma clara divisão geracional no consumo.

Esse comportamento muda o eixo da discussão, pois o público jovem demonstra conforto e aceitação da música criada por algoritmos, algo que também reflete a maior adesão da Geração Z ao uso de inteligência artificial no seu cotidiano, o que também se materializa em um maior consumo e até criação desses conteúdos.

Não podemos nos esquecer que criar música, imagens e vídeo são tarefas que uma boa plataforma de IA pode executar em um simples smartphone ou computador, e não é necessário um hardware potente ou dedicado para se obter resultados convincentes em todas as criações.

 

Gravadoras e artistas já podem se desesperar?

De certo modo, dizer que o desespero bateu ainda é cedo, mas não dá para negar que o debate está mais do que servido, e que o protagonismo volta a ser do público, e não dos artistas e das gravadoras.

Todos os envolvidos na indústria fonográfica terão que retomar de alguma forma a discussão sobre os limites de uso das plataformas de inteligência artificial e os direitos de autor, algo que deveria ter acontecido desde sempre, mas que foi procrastinado ou adiado por diversos motivos.

Agora, todos estão diante de um cenário onde não só os ouvintes mais novos (que serão os consumidores do futuro) parecem já ter integrado a IA às suas rotinas culturais, como também são eles que podem tornar os artistas “descartáveis”, pois qualquer pessoa pode criar qualquer música, com qualquer estilo… e sem precisar apelar para o clone da voz do seu astro favorito.

O sinal de alerta está mais do que ligado.

O cenário de momento já exige das plataformas de streaming e das gravadoras ações mais incisivas de reposicionamento de suas respectivas estratégias, tratando a IA como motor de crescimento e personalização, e não necessariamente como um inimigo, mesmo que ele seja um forte adversário.

O TikTok e o YouTube incentivam o uso criativo das plataformas de Inteligência Artificial com rotulagem clara, e estão atraindo a atenção dos consumidores de música pelos memes e vídeos virais criativos gerados por chatbots.

Já o Spotify tenta equilibrar abertura à IA com a proteção de catálogos tradicionais e combate aos conteúdos de baixa qualidade, o que pode ser considerado algo louvável e, ao mesmo tempo, uma estratégia perdedora em comparação com a abordagem dos seus concorrentes diretos.

Qual será a estratégia vencedora?

O tempo, sempre ele, vai oferecer respostas.


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