
Virou guerra.
Todo mundo sabe que a Warner Bros. Discovery está à venda, seja como um todo, seja em partes. David Zaslav, CEO da empresa, deixou isso claro para quem quiser ouvir. E esse “quem” quer dizer todas as demais empresas de mídia que se interessarem em adquirir esse precioso ativo do entretenimento.
Na briga, Nettflix, Comcast e Paramount declararam interesse. Aqui, a parte mais preciosa é a da Warner Bros., incluindo os estúdios de cinema, os ativos da HBO e da DC e algumas das propriedades intelectuais mais valiosas do mundo do entretenimento.
Estamos diante de uma das mais vorazes disputas corporativas da história, e estamos testemunhando um capítulo importante do mundo do entretenimento se escrevendo diante dos nossos olhos.
Dividir para conquistar
Neste momento, David Zaslav está corrigindo o erro que ele mesmo cometeu em 2022, que foi unificar a Warner Bros. com a Discovery. Ele alega que quer preservar a independência das operações das redes de televisão, mas na prática está dividindo as empresas para tornar a venda do que realmente importa algo mais fácil ou interessante para os compradores.
Zaslav é pressionado a fazer o movimento de divisão dos ativos agora para conseguir vender alguma coisa em 2026. Segundo a Variety (17 nov. 2025), o processo ainda está em fase preliminar, com ofertas não vinculantes sendo avaliadas pelo conselho da companhia.
Além de reduzir custos e reforçar as franquias dos conteúdos premium, a divisão das empresas pode elevar o valor da Warner Bros. em até 30%, algo que é mais do que interessante para os acionistas.
Quem comprar a Warner Bros. terá que pagar uma bala maior do que se a empresa se chamasse Warner Bros. Discovery. Não que a Discovery Networks não valha nada (pelo contrário – diante da terra arrasada da TV por assinatura, é uma das mais valiosas), mas os canais não são interessantes para os potenciais compradores, que estão totalmente voltados para o cinema e o streaming.
Netflix e sua aposta no streaming total
A Netflix mantém sua estratégia agressiva de expansão global e vê a aquisição como uma oportunidade de ouro. Integrar franquias como DC, Harry Potter e Looney Tunes fortaleceria seu catálogo e diversificaria a receita com produtos licenciados e experiências teatrais.
Segundo a Bloomberg, a empresa prometeu manter as estreias nos cinemas — um gesto conciliador diante da resistência de Hollywood. E um sinal claro de que está considerando a sério a aquisição de um dos maiores portfólios do entretenimento global, mas sem causar grandes impactos na forma em como esse conteúdo é distribuído.
O interesse da Netflix também reflete a busca por novos diferenciais diante da saturação do mercado de streaming. A companhia aposta em um modelo híbrido, unindo streaming e exibição cinematográfica, especialmente após o sucesso de produções exibidas em circuito limitado.
Especialistas consideram essa ofensiva a mais ousada da história da plataforma, já que historicamente a Netflix se especializou em produzir os seus conteúdos e, no máximo, buscar estúdios parceiros para séries e filmes originais.
Fontes do mercado especulam que a Netflix prepara uma proposta superior a US$ 25 bilhões por parte da divisão Warner. Esse valor, embora não confirmado oficialmente, representaria o quarto maior negócio da história do setor de mídia. Analistas alertam, porém, que um acordo dessa magnitude pode enfrentar resistência regulatória e política nos EUA.
Sinceramente? Não acreditava que a Netflix tinha essa bala na agulha para adquirir uma Warner Bros.
A empresa só conseguiu entregar lucro para os seus acionistas nos últimos anos, e foi uma máquina de queima dinheiro para entregar produções originais que, em partes, não correspondiam na qualidade.
Mas o tempo mostrou que a estratégia da Netflix funcionou, e a gigante do streaming se consolidou a ponto de ser um potencial comprador de um dos maiores e mais valiosos portfólios do mundo do entretenimento.
Mas ela não está sozinha na disputa.
Paramount e Comcast entram em cena
A Paramount mantém seu interesse em criar um conglomerado de mídia capaz de competir com os maiores players globais. Após a recente fusão com a Skydance, o grupo controlado por David Ellison busca novos ativos estratégicos para reforçar a estrutura de streaming e distribuição internacional.
A oferta inicial de US$ 20 por ação foi rejeitada por Zaslav, que considera o valor subavaliado. Há quem diga que David decidiu ir para “o tudo ou nada” ao buscar parceiros no Oriente Médio (mais especificamente, Arábia Saudita) para jogar uma montanha de dinheiro na mesa da WB, algo que já foi negado pelos envolvidos.
Neste momento, a Paramount Skydance ainda é a favorita na compra da Warner Bros. Aparentemente, dinheiro não falta para David Ellison (se precisar, ele apela para o pai, Larry, um homem com dinheiro quase infinito através da Oracle), e o desejo de incorporar esse portfólio à sua nova “big tech” está cada vez mais latente.
Com a Comcast, o cenário ganha complexidade adicional. A controladora da NBCUniversal planeja separar suas operações de cabo em uma nova subsidiária chamada Versant. Tal movimento abriria espaço para uma ofensiva focada exclusivamente na Warner Bros., eliminando sobreposição de negócios.
Rumores indicam que a Comcast pretende formar um consórcio com fundos de investimento para competir com as demais ofertas. Não é uma reinvenção da roda nos aspectos corporativos, mas é um movimento aparentemente mais sustentável, considerando que essa é a empresa “mais pobrinha” de todas.
Outro ponto a ser observado é que a Comcast pode muito bem atuar como “elo mais fraco”, e só está nessa negociação para atrapalhar os planos das outras envolvidas, elevando o valor de venda para, quem sabe, despertar o desinteresse das demais.
Enquanto isso, Wall Street observa a situação com cautela, antecipando possíveis movimentos de concentração que exigirão validação antitruste. Afinal de contas, seja lá quem for que vai comprar a Warner Bros., terá que convencer os órgãos regulatórios norte-americanos que tudo isso não é uma tentativa de monopólio.
A guerra começou. E não dá para dizer quem vai vencer.
Tempo ao tempo.
Via Bloomberg

