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A covardia da Samsung no Galaxy S26 Ultra

Isso aqui não faz muito sentido para mim.

Pensa comigo.

Se a Samsung focou na inteligência artificial como principal argumento para a existência dos novos smartphones da série Galaxy S26 e, para isso, contam com processadores que, em teoria, são potentes o suficiente para isso, por que diabos ela não aumentou a capacidade da bateria desses telefones?

Sim, eu sei que a Samsung ainda conta com suas reservas e não aposta de vez na tecnologia de silício-carbono nos seus dispositivos. Na minha opinião, seguir apostando no lítio passa a ser um erro grosseiro.

Mas daí a reduzir a capacidade de bateria, obrigando o usuário a fazer uma recarga rápida obrigatória?

Por que isso?

 

A desculpa da vez da Samsung

O Galaxy S26 Ultra possui a mesma bateria de 5.000 mAh do seu antecessor para tornar possível o que a própria Samsung chama de “feito de engenharia”.

O modelo conta com medidas reduzidas ao extremo, com uma espessura total de 7,9 mm. Ele é 0,7 mm mais fino que o S25 Ultra, o que é sim algo impressionante, considerando todo o conjunto de hardware encapsulado no seu corpo.

Apesar da conquista técnica, a decisão decepciona os usuários que esperavam por um salto na capacidade energética. O pedido por uma bateria maior era um dos mais recorrentes, mas a Samsung preferiu não atender a essa expectativa.

 

A eficiência do software como justificativa

A justificativa da Samsung para manter os 5.000 mAh reside na otimização de software.

A camada de personalização One UI promete um gerenciamento de energia tão eficiente, que a maioria dos usuários chegará ao fim do dia sem problemas. Algo que só vou acreditar quando receber os resultados dos primeiros testes de usuários e especialistas.

A empresa aposta que a experiência prática será mais importante que os números absolutos. Segundo a Samsung, o aparelho oferece até 31 horas de reprodução de vídeo, um número ligeiramente superior ao das gerações anteriores.

Acontece que esse smartphone foi desenvolvido para fazer muito mais do que exibir vídeos do melhor canal de tecnologia do YouTube. O S26 Ultra possui três inteligências artificiais trabalhando de forma alternada, e é indiscutível que isso vai consumir recursos e, por tabela, bateria do dispositivo.

A OneUI 8.5 precisa estar absurdamente otimizada para essa autonomia ser maior. E o simples fato de o carregador do Galaxy S26 Ultra está mais rápido, temos aqui um indício de que o software pode não estar tão ajustado quanto a Samsung tenta vender para nós.

 

60W de recarga, mas só se você está preso ao cabo

A principal mudança no pacote de energia é a adoção do carregamento Super Fast Charging 3.0 de 60W. É um ganho considerável em relação aos 45W do carregador compatível para o modelo do ano passado.

Com essa nova potência, a Samsung promete atingir 75% de carga em apenas 30 minutos. A empresa afirma que escolheu essa velocidade para oferecer um equilíbrio ideal entre rapidez e saúde da bateria a longo prazo.

Por outro lado, a escolha pode também sinalizar que o processador Snapdragon 8 Gen 5 for Galaxy não está conversando tão bem assim com a nova OneUI, o que seria algo absolutamente normal para um smartphone que está chegando ao mercado.

Então… não seria mais fácil para a Samsung falar logo a verdade neste caso?

Sem falar que a recarga sem fio não teve evoluções técnicas.

O Galaxy S26 Ultra não possui ímãs embutidos para o padrão Qi2, mantendo o suporte a carregadores MagSafe apenas por meio do uso de capas específicas. E aqui, tem uma galera na Apple dando risada da Samsung neste exato momento.

A potência do carregamento sem fio permanece em 25W, o que é considerado suficiente para a maioria dos casos, mas não algo inovador. Sem falar que o compartilhamento de energia sem fio, ou carregamento reverso, também segue com os mesmos 4,5W de potência.

 

Conservadorismo ou estratégia inteligente?

A postura da Samsung reflete um aprendizado difícil com os traumas do passado, quando problemas com baterias causaram grandes prejuízos (abraço, Galaxy Note 7). A empresa parece priorizar a segurança e a confiabilidade em vez de arriscar com novas químicas de bateria de maior densidade.

Até que a própria Samsung se pronuncie publicamente sobre o assunto, vou ficar sem entender por que todo esse medo em relação ao silício-carbono. Adotar a nova tecnologia resolveria (com muita facilidade) a questão do design e da maior autonomia energética.

Para o usuário final, a questão se resume a preferências: um número maior na ficha técnica ou uma experiência consistente e segura?

A Samsung claramente aposta que a estabilidade e a otimização são o caminho correto a seguir. Mas só o tempo (e os clientes do Galaxy S26 Ultra) é que vão confirmar se essa decisão foi um movimento inteligente ou uma burrice sem tamanho.