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Ao longo de toda a semana, eu publiquei textos baseados nas recentes notícias de tecnologia. Notícias bombásticas e alarmantes, por sinal. Primeiro, foi a Apple anunciando que revisou os números de receita do quarto trimestre de 2018 PARA BAIXO. A Samsung fez a mesma coisa, e a LG, também.

O que está acontecendo? Será que a bolha estourou?

Eu me dei conta que, nos três textos sobre os fabricantes, eu perguntei se era o fim para cada uma das marcas citadas, e em todos os casos, eu racionalmente respondi que NÃO. Entendo que, mesmo sendo um cenário de crise para algumas delas (em diferentes proporções e com suas respectivas peculiaridades), não é o fim do mundo para nenhuma delas.

Por outro lado, eu entendo que, em comum, Apple, Samsung, LG e a imensa maioria dos fabricantes de tecnologia terão que rever conceitos e estratégias para uma sustentação de todo um mercado que já é afetado pelos novos tempos. Não apenas pela crise econômica na China, mas principalmente porque os fabricantes chineses estão gradativamente reinventando as regras do jogo.

Além disso, o comportamento do consumidor também mudou.

Independente do fato dos modelos premium dos fabricantes hoje custarem valores simplesmente absurdos, é de entendimento de todos que os usuários hoje não estão dispostos a trocar de dispositivos todos os anos e, em alguns casos, nem mesmo a cada dois anos. Com dispositivos de linha média cada vez melhores e com modelos asiáticos cada vez mais competitivos na relação custo/benefício, acabam os argumentos para a maioria dos usuários em buscar outros modelos ou renovar dispositivos todos os anos.

Eu mesmo não compro novos smartphones todos os anos. Eu recebo produtos de assessorias de imprensa e de parceiros do blog, mas eu mesmo não tenho condições financeiras de comprar novos produtos. Ao longo de 2018, eu tive quatro dispositivos diferentes, sendo que apenas um deles eu adquiri por conta e, ainda assim, de segunda mão (e se o Galaxy S7 Edge Black de 128 GB recebesse atualizações oficiais para o Android 9 Pie, eu ficaria com ele mais um ano, mas decidi vendê-lo temendo uma eventual desvalorização).

Logo, para fechar o tema e respondendo a pergunta que dá título para esse post… SIM, a bolha do mercado de smartphones simplesmente estourou.

O mercado já registrou quedas de vendas de smartphones no terceiro trimestre de 2018 (5%), e a queda no quarto trimestre, que é o período de maior volume de vendas na maioria dos setores de tecnologia, deve se repetir. Afinal de contas, quando os dois principais players do mercado (Apple e Samsung) anunciam a revisão PARA MENOS de suas receitas, somando com a crise econômica da China e o comportamento da maioria dos usuários em permanecerem mais tempo com os seus dispositivos só pode indicar um movimento de quedas nas vendas.

Por mais que os fabricantes asiáticos mais poderosos no momento (Xiaomi, Huawei, Vivo, Oppo etc) alcancem volumes de vendas realmente substanciais (a Huawei pretende fechar 2018 com mais de 200 milhões de unidades vendidas), é muito difícil de acreditar que esses fabricantes conseguem equilibrar a balança a ponto de reverterem o resultado negativo, pelo simples fato de, em todos os casos, essas marcas não contam com presença global no mercado.

Particularmente, é muito difícil deixar de pensar que a bolha do mercado de telefonia móvel estourou, e que o ano de 2019 será bem complicado para todo mundo. Eu só vejo uma forma do cenário não ficar ainda pior: todos os principais fabricantes revendo as suas estratégias.

Não dá mais para justificar um smartphone que custe mais de US$ 1.000. Não existe nem argumentos para isso, e o próprio mercado consumidor já não responde bem para produtos com essa faixa de preço. E não ajuda em nada o fato de fabricantes asiáticos entregarem um hardware tão bom quanto os modelos top de linha com preços que variam entre US$ 300 e US$ 600.

Samsung, Apple, LG e outros gigantes do setor serão obrigados a rever conceitos. Para alguns desses fabricantes mais tradicionais, é um cenário bem complicado: quando você transforma o seu produto em sinônimo de status e as pessoas param de comprar o produto porque encontram em outras opções uma relação custo/benefício melhor, o que você faz? Abre mão do status? Ou come poeira porque outros fabricantes vão ocupar o seu lugar?

O ano de 2019 será bem complexo, e se torna até imprevisível para determinar o que vai acontecer. Mas uma coisa é fato: esse será o primeiro ano onde muita coisa efetivamente vai mudar no mercado mobile. Seja pelas novas tecnologias que virão, seja pelas novas propostas que serão mais competitivas…

…ou porque alguns fabricantes serão obrigados a mudar, se quiserem sobreviver nesse mercado.


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