
A Apple vai começar a WWDC 2025 (Worldwide Developers Conference) em meio a uma pressão que a empresa nunca viveu. São questionamentos diretos sobre a capacidade de Tim Cook e toda a corporação em liderar a nova era da inteligência artificial, campo onde a empresa nem figura como coadjuvante.
Existe um cenário consolidado pela concorrência no campo de IA generativa, e a Apple, que se esforça para mostrar que ainda pode inovar sem perder o controla da experiência do usuário, se coloca em posição defensiva neste momento.
Nem mesmo seus desenvolvedores mais fieis estão acreditando na empresa depois das mentiras envolvendo o Apple Intellgence. E o clima de cautela na WWDC 2025 é quase tangível.
Apple Intelligence decepciona, e Siri fica para depois

O Apple Intelligence é um grande ponto de frustração.
Revelado no evento do ano passado, a plataforma prometia ênfase na privacidade e integração ao hardware proprietário.
Nada mais Apple, por sinal.
Na prática, prometeu e não cumpriu. Tanto, que alguns processos começaram a chegar na Apple por vender mundos e fundos que até agora não chegaram no iPhone 16.
E a Apple usou o Apple Intelligence para promover o iPhone 16 nos aspectos comerciais.
O Siri, coitado, um esquecido no churrasco da vida. Só vai receber as principais novidades em 2026.
Mesmo com as promessas de uma Siri mais contextual, neural e mais inteligente, não ter uma versão funcional com parte dessas novidades irritou a todos.
Enquanto isso, Gemini, ChatGPT, Perplexity e Claude estão dando uma surra na pobre Siri.
Até mesmo a burra da Meta AI está melhor neste momento.
De acordo com o site 9to5Mac, o recurso de “Siri Pro” deveria ter sido lançado junto ao iOS 18, mas foi adiado por problemas de estabilidade e precisão.
A promessa de um assistente de saúde com IA, que atuaria como uma espécie de “coach pessoal de bem-estar”, também foi postergada.
iOS 18 é a tábua de salvação

O iOS 18 deve impedir a Apple de passar vergonha na WWDC 2025.
Entre as novidades, devemos encontrar uma interface redesenhada com mais opções de personalização, ícones reposicionáveis na tela inicial e recursos de transcrição e resumo de textos alimentados por IA.
O Apple Notes e o Safari receberão atualizações com funcionalidades mais inteligentes, todas trabalhando com pequenos pedaços de inteligência artificial.
Porém, a maior parte das novidades “revolucionárias” ainda está em fase beta. O que significa que, com alguma sorte, chegam com o iPhone 17.
Fora isso, todos os sistemas operacionais da Apple vão mudar de nome.
Em 2026, teremos iOS 26, macOS 26, iPadOS 26… enfim, você entendeu: tudo com base no ano de lançamento.
Copiando a Samsung, com a nomenclatura de sua linha de smartphones Galaxy, obviamente.
AirPods com foco em IA e usabilidade
A Apple quer deixar os AirPods mais inteligentes, com recursos como tradução simultânea de idiomas, cancelamento de ruído adaptativo com base no ambiente e até mesmo sensores para monitoramento de sono.
Os fones passam a funcionar como uma espécie de assistente auditivo contínuo”, oferecendo sugestões contextuais, leitura de notificações mais inteligentes e interações com Siri baseadas em gestos sutis, como inclinar a cabeça ou tocar o rosto.
O objetivo é transformar os fones em dispositivos-chave na estratégia de computação ambiental da Apple.
Pena que a Siri vai continuar burra. Ou seja, esse recurso só vai prestar mesmo nos AirPods em 2026 (e olhe lá).
Parcerias com OpenAI e Google

O desespero da Apple com a inteligência artificial fez com que a empresa fechasse parcerias com a OpenAI (do ChatGPT), anunciada no ano passado.
O Apple Intelligence não pode fazer tarefas simples como redigir e-mails, resumir textos e auxiliar em apps de produtividade?
É preciso recorrer à concorrência para isso?
Agora, rumores indicam que a Apple também estuda incluir o Gemini, do Google, como alternativa para usuários.
O site The Information relata que a Apple não pretende desenvolver seu próprio modelo fundacional de IA, preferindo se posicionar como uma “orquestradora” que oferece o melhor da IA de terceiros, de forma segura e integrada ao seu ecossistema.
Arregou.
Se isso realmente acontecer, é uma quebra de paradigma enorme.
A Apple sempre foi fechada às soluções externas. Mudar de estratégia agora é reconhecer publicamente que, sozinha, não consegue entregar uma IA no nível das demais.
O que, para uma Apple, é uma derrota acachapante. Seria uma mancha na gestão de Tim Cook.
É claro que todo mundo está desconfiado

Além de tudo isso, a Apple ainda tem os seus problemas na justiça para resolver, especialmente na Europa.
A Comissão Europeia já aplicou multas por suposta prática anticompetitiva ao não permitir que desenvolvedores oferecessem sistemas de pagamento alternativos na App Store.
A situação foi agravada por falhas na implementação das regras do Digital Markets Act (DMA).
Além disso, a empresa ainda sofre críticas pelo alto grau de controle sobre seus produtos e serviços. Desenvolvedores reclamaram da falta de transparência e da dificuldade de acesso às novas ferramentas de IA anunciadas.
É um cenário que coloca a Apple nos holofotes, mas da pior forma possível.
O keynote inaugural da WWDC em 2025 que acontece daqui a pouco será um dos mais importantes dos últimos anos para a gigante de Cupertino.
Pode ser o início da virada em um jogo que ela está perdendo de goleada, ou um “joguei a toalha” vexatório pra todos os envolvidos.
Não estamos falando de uma Multi, CCE ou Positivo. Estamos falando da Apple.
Ver a maior empresa de tecnologia do mundo, que sempre vendeu o rótulo de ser “mágica e revolucionária” perdendo no campo onde todos afirmam que é “o futuro da tecnologia” é algo que jamais poderíamos imaginar.
É sim tudo muito estranho.
E a Apple vai ter que se virar para convencer a todos de que está tudo bem, mesmo sofrendo uma pressão que é inédita em sua história.
Via The Verge, investors.com, laptopmag

