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A Apple tem uma crise com seus Serviços?

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Sinal de alerta ligado na Apple.

Tá, eu escrevi isso várias vezes no blog, que essa frase pode até cair no vazio. Mas dessa vez o motivo é factível, onde os números deixam claro que o problema existe: o auge da divisão de Serviços na Apple chegou ao fim, e esse setor está com números em queda.

O crescimento da divisão de Serviços foi modesto pela primeira vez em muito tempo, depois de passar os últimos anos registrando aumentos em dois dígitos. E todo mundo sabe o que acontece quando o setor de uma empresa desacelera o seu crescimento, certo?

Então, vamos ver neste artigo o que está acontecendo de verdade com a divisão de Serviços da Apple, e se Tim Cook e sua turma possui reais motivos para se preocupar dessa vez.

 

Sim… Tim Cook tem motivos para se preocupar…

É preciso primeiro entender o que é a tal divisão de Serviços da Apple, até mesmo para que os mais leigos possam entender melhor o contexto desse cenário.

A divisão de Serviços da Apple compreende todas as receitas da App Store (compras, assinaturas e compras na modalidade ‘in-app’, ou seja, dentro dos aplicativos – onde a gigante de Cupertino conta com participação nos lucros), as receitas do Apple Care, iCloud, Apple Pay ou os serviços próprios da empresa, como Apple Music, Apple TV+, Apple News+ ou Apple Fitness+, entre outros.

Dito isso, o último relatório dos resultados financeiros da Apple mostra que o faturamento dessa divisão foi menor que a dos três trimestres anteriores, e apenas 5% maior que a do mesmo trimestre de 2021. Isso é um problema porque, na prática a divisão de Serviços está perdendo receitas há quase um ano e, ao contrário do que acontece com a divisão iPhone, não é uma perda estacional ou sazonal.

Isso é ainda mais problemático porque essa divisão de serviços é hoje responsável por 21% de toda a receita da Apple. E com os sinais de esgotamento do crescimento, a empresa como um todo precisa começar a revisar as suas contas. E, talvez (só talvez) isso era algo que Tim Cook e sua turma não estava prevendo.

A Apple fez vários movimentos na última década para tornar a divisão de Serviços rentável, pois é esse segmento que poderia oferecer uma margem de lucro melhor e mais rápido que a divisão de Hardware da empresa. Para isso, permitiu que qualquer aplicativo monetizasse via assinatura na App Store desde 2016, lançou vários serviços próprios de forma gradual, oferece apenas 5 GB no iCloud há 11 anos (obrigando muitos usuários a assinarem o serviço para realizar cópias de segurança mais decentes) e lançou o Apple One em 2020, colocando os seus serviços em um pacote fechado para atrair mais clientes e reduzir as chances de cancelamento de planos.

Por outro lado, a notícia da queda nas receitas da divisão de Serviços chega logo depois que a Apple anunciou o aumento de preços de várias de suas soluções. E como estamos em um momento de crise financeira global, as pessoas estão cancelando tudo o que é considerado supérfluo.

E isso acontece mesmo com a Apple apresentando uma série de novidades em vários desses serviços que até poderiam explicar o aumento de preços, como a música sem perda de qualidade ou a adição do Dolby Atmos no Apple Music, as novas (e premiadas) séries do Apple TV+ e os jogos sem publicidade do Apple Arcade.

Mas nem todo mundo quer saber disso tudo. No final, o que realmente importa é o preço.

 

Os videogames podem salvar a Apple?

A App Store é crucial para a divisão de Serviços da Apple. A empresa não detalha o que cada um dos serviços dentro desse grupo fatura, mas informa que o maior volume de dinheiro vem mesmo da loja de aplicativos, principalmente na categoria videogames.

A disputa judicial entre Apple e Epic Games por causa do Fortnite revelou que, ao longo de 2019, a empresa da maçã mordida faturou nada menos que US$ 8.5 bilhões apenas com os jogos dentro da App Store. Para você ter uma ideia do quão expressivo é esse volume de dinheiro, é uma quantia maior do que os lucros de Microsoft, Sony, Nintendo e Activision Blizzard no mesmo segmento de videogames durante aquele ano.

Ou seja, o nome Serviços é uma forma bem elegante que a Apple encontrou para chamar aquele agrupamento de diferentes fontes de receitas que a empresa possui, mas com claro protagonismo para os jogos. Agora, fica a pergunta: será que essa categoria de aplicativo é suficiente para segurar os lucros de uma divisão inteira.

Uma coisa é certa: que os jogos de videogames nos smartphones e dispositivos móveis estão em alta, já que vários protagonistas desse mercado (incluindo Netflix e TikTok, que nem mesmo contam com histórico para isso) estão investindo nesse segmento para obter lucros. Logo, podemos esperar uma batalha duríssima nesse sentido nos próximos anos.

Outra possível saída para a Apple está no aumento da publicidade na App Store, desde que não seja a bagunça que foi nos seus primeiros dias, enchendo de anúncios indesejados pela comunidade, o que resultou em uma suspensão dessas propagandas com menos de uma semana de funcionamento.

De qualquer forma, a Apple vai precisar se coçar um pouco para fazer a divisão de Serviços voltar a ser rentável. A crise chegou até esse ponto, e com a concorrência mais que cristalizada e todo o cenário econômico de momento, os lucros da empresa como um todo podem se comprometer de forma sustentável.

Vamos observar como serão os próximos movimentos dento desse cenário que é minimamente complexo para a Apple.


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