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A Apple não sabe mais o que fazer com a Siri

A Apple se encontra em uma posição delicada no mercado de inteligência artificial, com o adiamento indefinido das melhorias prometidas para a Siri e uma dependência crescente de soluções externas como o ChatGPT.

O cenário se tornou evidente durante a WWDC 2025, onde a empresa novamente falhou em apresentar avanços significativos em seu assistente virtual.

Tudo o que foi ventilado pela imprensa especializada sobre o assunto foi reforçado de alguma forma com as declarações públicas dos envolvidos dentro da Apple sobre o assunto.

E em nós, fica a certeza de que, neste exato momento, a Apple não sabe o que fazer com a Siri.

 

Siri estagnada até 2026, e a dependência crescente do ChatGPT

Craig Federighi, vice-presidente sênior de software da Apple, admitiu publicamente que o trabalho de renovação da Siri “requer mais tempo para alcançar uma alta qualidade” e que a empresa espera compartilhar mais informações apenas no próximo ano.

A companhia confirmou oficialmente em março de 2025 que os recursos de IA aprimorados da Siri foram adiados para 2026, representando mais um revés na estratégia de inteligência artificial da empresa.

Relatórios internos da Bloomberg indicam que a nova versão da Siri funciona corretamente apenas dois terços das vezes, um desempenho considerado inaceitável para uma empresa do calibre da Apple.

A estratégia atual da Apple para contornar as limitações da Siri tem sido a integração cada vez maior com o ChatGPT. Quando o assistente da Apple não consegue responder a uma pergunta, simplesmente encaminha a consulta para o assistente da OpenAI.

A dependência se estendeu além do assistente virtual: com o iOS 26, a Apple atualizou sua aplicação de geração de imagens para também utilizar o ChatGPT.

Durante a WWDC 2025, todo mundo percebeu que o ChatGPT recebeu mais menções do que a própria Siri, evidenciando a crescente dependência da empresa em tecnologias externas para oferecer funcionalidades básicas de inteligência artificial.

O Xcode 26 também passou a utilizar modelos de linguagem como o ChatGPT, dando aos desenvolvedores acesso a ferramentas de codificação inteligentes.

Tudo isso mostra como o Apple Intelligence é um perdido dentro do sistema operacional, e como a Siri passa bem longe de ter a IA da casa como força motriz de sua evolução.

Sam Altman deve estar sorrindo de orelha a orelha com tudo isso.

 

Mudanças na liderança técnica diante dos avanços da concorrência

A situação crítica levou a mudanças na estrutura organizacional da Apple.

John Giannandrea, que estava à frente do projeto Siri, foi removido do cargo e substituído por Mike Rockwell, o executivo responsável pelo Vision Pro.

A troca de liderança em si indica que os problemas com a Siri são mais profundos do que inicialmente aparentavam.

Segundo análises da indústria, a Apple foi lenta em abraçar a ascensão da IA generativa, em parte devido ao ceticismo inicial de líderes-chave como Craig Federighi, resultando no atraso da empresa no setor.

Enquanto a Apple luta com os problemas da Siri, Google e OpenAI se posicionam na vanguarda da inovação com propostas cada vez mais disruptivas, incluindo modelos de linguagem mais capazes e funcionalidades como a capacidade da IA de ver através da câmera do celular.

O Google, que anteriormente estava atrás da OpenAI, conseguiu acelerar na corrida da IA com grandes avanços apresentados no Google I/O, como o Veo 3, que assusta com tamanha veracidade na produção de vídeos.

Especialistas da indústria alertam que a falha contínua em acertar na inteligência artificial ameaça tudo, desde a dominância do iPhone até os planos para robôs e outros produtos futuristas.

Alguns analistas mais ousados já falam abertamente que a Apple está indo a reboque na corrida da IA, apesar de anos de investimento.

 

Recursos Limitados do Apple Intelligence

As funcionalidades apresentadas para o Apple Intelligence foram consideradas mínimas pelos analistas. É como se a Apple simplesmente não conseguisse alcançar o mesmo nível de excelência da concorrência, o que é algo absurdo para uma empresa desse porte.

Por exemplo, o app Lembretes poderá coletar e categorizar informações de e-mails, e o Apple Wallet poderá resumir detalhes de rastreamento de pedidos online. No aplicativo Mensagens, será possível criar enquetes, com o Apple Intelligence detectando quando essa função pode ser útil.

A Apple também apresentou o Visual Intelligence, uma proposta similar ao que já faz o Gemini no Android, mas que ainda carece de refinamento.

Tudo o que a Apple mostra como “novidade” é algo que outras plataformas já entregam como soluções finais e funcionais para os usuários. E o tempo demonstra que a empresa continua correndo atrás de soluções já implementadas pela concorrência, no lugar de inovar e buscar os seus próprios caminhos.

 

Sobre o Foundation Models Framework

Uma das principais novidades apresentadas na WWDC 2025 foi o Foundation Models Framework, que permite aos desenvolvedores acessar diretamente o modelo de base no dispositivo que está no núcleo do Apple Intelligence.

Esse novo conjunto de ferramentas permite que desenvolvedores integrem os modelos de IA da Apple diretamente em seus aplicativos, oferecendo recursos como resumos, geração de linguagem natural e recomendações personalizadas.

O framework permite que aplicativos de terceiros acessem a IA no dispositivo sem APIs na nuvem ou custos extras, representando uma tentativa da Apple de compensar suas limitações em IA através da abertura de sua plataforma para desenvolvedores externos.

 

Futuro mais do que incerto

As ações da Apple caíram durante a realização da WWDC, refletindo a decepção dos investidores com a falta de inovações significativas em inteligência artificial.

Um ano após estrear sua plataforma de IA, a Apple fez pouco na WWDC para mostrar que está alcançando líderes como OpenAI e Google.

Especialistas classificam a situação como uma “crise” para a Apple, considerando que o maior tropeço da empresa veio no início de março, quando anunciou o adiamento da “Siri Mais Pessoal”, uma grande melhoria que integraria o assistente com aplicativos do iPhone.

A estratégia cautelosa da Apple, tradicionalmente focada em privacidade e processamento local no dispositivo, pode não ser suficiente para competir em um mercado onde cada mês surgem avanços revolucionários e onde tomar as coisas com calma pode significar ficar para trás de forma irreversível.

A empresa enfrenta agora o desafio de equilibrar sua filosofia de desenvolvimento interno com a necessidade urgente de apresentar soluções competitivas em inteligência artificial, em um momento em que a dependência de tecnologias externas se torna cada vez mais evidente e problemática para sua imagem de inovadora tecnológica.

E eu mal consigo acreditar que tudo isso se construiu na frente do Tim Cook, e ele não fez nada para evitar o desastre.

Não é à toa que estão pedindo a cabeça dele como CEO da Apple…

 

Via The Verge