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A Apple não dava a mínima para o número de megapixels nas câmeras. Até que veio o iPhone 14 Pro, e…

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A Apple é engraçada. E, se parar para pensar, outros fabricantes de tecnologia também são bem piadistas de tempos em tempos.

Todas as marcas já fizeram aquelas pessoas que acompanham o mundo tech mais de perto já gargalharam com o lançamento de algum produto que não faz sentido algum (beijo, iPhone 14), ou com alguma decisão infeliz para um dispositivo (beijo de novo, iPhone 14 que não serve para nada).

Mas neste caso, a diversão aqui tem uma certa dose de ironia e sarcasmo. A mesma Apple que, ao longo dos últimos anos, tentou convencer todo mundo que a quantidade de megapixels em um sensor fotográfico não era algo importante ou relevante, decidiu “mudar de ideia” com a chegada do iPhone 14.

E essa mudança não aconteceu por obra do mero acaso. Pois nunca é.

 

O Pixel Binning sempre foi uma boa ideia

O recurso Pixel Binning é aquele que tem como principal objetivo combinar os pixels para entregar uma foto com maior resolução e maior luminosidade captada, entregando assim uma melhor qualidade final de imagem.

Essa foi uma ideia que, originalmente, foi apresentado pelo Google no Pixel 6. Esse smartphone utilizou essa tecnologia como desculpa para abandonar os sensores fotográficos de 12 MP para apostar em uma enorme câmera de 50 MP, na tentativa de impressionar o consumidor com fotos com maior riqueza de detalhes.

Por outro lado, o Google não se valeu apenas do hardware para entregar fotos incríveis nos telefones Pixel. Também melhorou de forma considerável o seu software, que consegue trabalhar tão bem com os elementos físicos de fotografia, que muita gente decidiu adotar o Google Camera como o seu aplicativo principal de fotografia.

De qualquer forma, outros fabricantes decidiram fazer o mesmo: adotar câmeras com muitos megapixels para trabalhar com o Pixel Binning e, dessa forma, obter imagens com maior captação de luminosidade através da combinação de pixels.

O problema é que praticamente nenhum dos fabricantes de smartphones Android aproveitavam todo o real potencial desse recurso. E isso ficava claro em qualquer comparativo de fotografia que os especialistas no assunto publicaram na internet ao longo dos últimos anos.

Pois bem, o iPhone 14 Pro chegou ao mundo, e a Apple abraçou como missão mudar um pouco esse jogo.

 

Com o iPhone 14 Pro, o Pixel Binning deve funcionar “de verdade”

Sabe como é a Apple… ela adora fazer declarações de impacto mediático para convencer os seus clientes e até aqueles que não são clientes de verdade.

E a Apple fez mais uma declaração que “joga para a galera” para garantir que o Pixel Binning vai funcionar do jeito como deve ser (ou como sempre deveria ter funcionado) no iPhone 14 Pro e iPhone 14 Pro Max. Porém, de novo, antes de continuar, só vamos mesmo saber se tudo vai funcionar do jeito que a empresa fala com os resultados práticos.

De acordo com a gigante de Cupertino, os sensores fotográficos presentes no iPhone 14 Pro são capazes de captar até três vezes mais luz com o novo sensor de 48 MP, que conta com uma abertura muito menor que os sensores que estão nas gerações anteriores e equivalentes da série Pro.

O iPhone 14 Pro consegue fazer o zoom “ótico” de 2x, usando informações da parte central do sensor de 48 MP, interpolando e (em teoria) fundindo esses dados para obter uma fotografia com resolução menor, mas com uma maior riqueza de detalhes em comparação aos dados obtidos pelo clássico zoom digital de 2x (aquele que aplicamos quando utilizamos o gesto pinch to zoom).

No papel, a Apple entrega algo promissor, com potencial para oferecer resultados práticos de alta qualidade. E esperamos que seja assim. O único detalhe é que, mais uma vez, não há nenhum tipo de inovação neste sistema, já que a Samsung oferece exatamente a mesma coisa em todos os seus dispositivos top de linha ou premium a algum tempo.

Ou seja, temos de novo a Apple “pegando emprestado” (para ser bem gentil) as ideias que já existem na telefonia móvel, repaginando o conceito de alguma forma e prometendo mundos e fundos para os seus usuários.

A Apple também promete que o ProRAW melhorou substancialmente no iPhone 14 Pro, permitindo registros fotográficos em 48 MP reais e sem qualquer tipo de adaptação, upscalling ou gambiarra via software.

Aqui, será muito importante observar como o software da Apple vai trabalhar para resolver o problema do ruído de imagem, algo que se fez presente no iPhone 13 Pro. Isso é muito importante ara obter o registro de fotos com o máximo de qualidade e riqueza de detalhes. E, mais uma vez, funcionando ou não, é mais um recurso que alguns smartphones Android já contam a algum tempo.

 

Será que isso vai dar certo?

Para o bem da Apple,é bom que isso funcione, tal e como a empresa promete.

A gigante de Cupertino fez um enorme esforço para separar a todo custo os modelos base (iPhone 14 e iPhone 14 Plus) dos modelos Pro (iPhone 14 Pro e iPhone 14 Pro Max), e o conjunto de câmeras fotográficas é um dos mais fortes argumentos para enfatizar essas diferenças.

Mais do que isso: a Apple também aposta no desempenho de suas câmeras para convencer os mais corajosos a migrar do iPhone 13 Pro para o iPhone 14 Pro. E eu não duvido que os números possam ajudar a convencer os mais indecisos sobre essa mudança.

Por outro lado, a mesma Apple tem um enorme desafio pela frente. Precisa mostrar para todo mundo que soube fazer o salto dos 12 MP para os 48 MP, e convencer os clientes que esse salto faz todo o sentido.

Mostrar que a maior riqueza de detalhes que um sensor fotográfico de 48 MP pode entregar em comparação com uma câmera de 12 MP não é algo apenas teórico, mas principalmente prático.

Até o presente momento, a grande maioria dos smartphones que contam com sensores fotográficos com números inflados não puderam utilizar esse discurso ou narrativa. A Apple está tentando dessa vez, indo na contramão de uma fala que sustentou nos últimos anos.

Se o iPhone 14 Pro não melhorar substancialmente os resultados no registro de imagens em relação ao iPhone 13 Pro, podemos dizer que a Apple chegou tarde na briga pelo maior número de megapixels em um smartphone, demorando tempo demais para seguir uma tendência de mercado que, em termos práticos, só provou não servir para nada.

No final das contas, se tudo der errado, o iPhone 13 base, que ninguém dava nada, se torna ainda mais vencedor nessa bagunça que a Apple estabeleceu em seu portfólio de produtos.


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