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5 motivos para NÃO comprar o POCO X8 Pro

É como se o seu amigo comprasse um tênis de marca falsificado, mas quer convencer todo mundo que pagou preço de shopping.

Dá para dizer que é mais ou menos essa a analogia para o POCO X8 Pro desembarcando no Brasil pela bagatela de R$ 6.999.

A Xiaomi, em um surto de otimismo que beira a comédia, resolveu que a linha POCO — famosa por ser a “queridinha da economia” — agora tem pedigree para peitar iPhones e Galaxys de última geração.

O problema é que, para cobrar esse valor, não basta ter uma bateria gigante. É preciso entregar o que a elite entrega.

No final das contas, a marca tentou gourmetizar o que nasceu para ser popular, e o resultado é um aparelho que custa o preço de uma moto usada sem oferecer o luxo que o valor exige.

A partir de agora, apresento cinco motivos para que você pense algumas vezes antes de comprar o POCO X8 Pro.

 

O drama da câmera que esqueceu de dar zoom

Olhar para a traseira desse celular e perceber que não existe uma lente teleobjetiva é como comprar um carro de luxo sem ar-condicionado.

Em um mundo onde qualquer aparelho de R$ 7 mil te permite tirar foto da Lua ou, no mínimo, um retrato digno sem deformar o rosto da pessoa, o POCO X8 Pro entrega um conjunto fotográfico de intermediário “bombado”.

Ter um sensor principal decente é o mínimo, mas a ausência de um zoom óptico real é um tapa na cara do consumidor.

Confiar apenas no corte digital do sensor de 50 MP é uma piada técnica, já que nenhum algoritmo de inteligência artificial substitui a física de uma lente de verdade na hora de aproximar a imagem com qualidade.

 

A marca que esqueceu de onde veio

Pagar sete mil reais em um celular que tem escrito “POCO” bem grande na traseira exige uma coragem que beira a imprudência financeira.

Vamos ser sinceros: o consumidor que tem esse dinheiro no bolso busca o status da maçã mordida na parte traseira do dispositivo ou a sofisticação da linha S da Samsung, com direito a assistência técnica VIP e um ecossistema que funciona.

A linha POCO sempre foi o porto seguro do jogador de Free Fire e do entusiasta de hardware que quer gastar pouco.

Pelo visto, não é mais.

Quando a marca tenta saltar para o patamar de luxo, ela sofre de uma “dissonância cognitiva” brava, pois o público que ama a POCO não tem esse dinheiro, e quem tem esse dinheiro não quer ser visto com um POCO.

Muito pelo contrário.

 

O fio que insiste em não morrer

Imagine chegar em um restaurante chique ou entrar em um carro de 2026 e não conseguir carregar seu celular por indução porque a fabricante resolveu economizar alguns centavos em bobinas de cobre.

A Xiaomi jura de pé junto que a bateria de 6.500 mAh compensa tudo, mas conveniência não se troca por capacidade bruta. Em um flagship de respeito, o carregamento sem fio é padrão básico, quase um pré-requisito ético.

Forçar o usuário de um aparelho “premium” a andar com cabos pendurados enquanto o dono de um iPhone de três anos atrás apenas encosta o celular no console do carro é, no mínimo, constrangedor para quem pagou o preço de um computador gamer no aparelho.

Ter a recarga de bateria sem fio pode até não ser algo tão essencial para você, que só quer um smartphone que entregue o suficiente pra o dia a dia.

Mas estamos falando de um Android que custa o preço de um iPhone. É o mínimo que se pede para um dispositivo com esse preço e essa ambição.

Menos que isso, e fica difícil defender.

 

O processador que não é o dono da festa

Navegar pelas especificações do Dimensity 8500 Ultra é encontrar um chip competente, mas que perde o brilho quando colocado ao lado dos verdadeiros monstros da Qualcomm e da Apple.

Por R$ 6.999, o esperado era o suprassumo do silício, algo que fizesse o tempo parar, e não um processador que, embora potente, fica um degrau abaixo em processamento gráfico pesado e tarefas de IA de última geração.

Se você é do tipo “power user” que analisa cada benchmark, vai sentir o gosto amargo de saber que pagou preço de Snapdragon 8 Elite para levar um MediaTek que, no final do dia, não sustenta a coroa de rei da performance absoluta neste ciclo geracional.

Ou vai comprar logo um iPhone pelo mesmo preço, o que acaba se tornando um negócio melhor em diversos cenários.

 

O soco no estômago do mercado cinza

Vender um produto por quase sete mil reais no canal oficial enquanto o “tio do marketplace” entrega o exato mesmo aparelho por pouco mais de quatro mil é um suicídio comercial.

A diferença de preço entre o valor oficial da DL/Xiaomi e o mercado paralelo no Brasil é tão abismal que chega a ser ofensiva ao intelecto do consumidor informado.

São quase R$ 3.000 de “taxa de oficialização”, um valor que paga um segundo celular intermediário de brinde.

A discrepância escancara que o POCO X8 Pro nunca foi projetado para ser um item de luxo, mas sim um aparelho de médio-custo que foi inflado artificialmente pela burocracia e ganância tributária local.

E para quem está mais do que acostumado a comprar smartphones da Xiaomi, sabe muito bem onde comprar os dispositivos da marca longe do mercado brasileiro, e com preços mais competitivos.

 

Preço e disponibilidade

O POCO X8 Pro foi lançado oficialmente no Brasil com o preço sugerido de R$ 6.999 na versão com 512 GB de armazenamento e 12 GB de RAM. Atualmente, ele pode ser encontrado no site oficial da Xiaomi Brasil e em quiosques da marca em grandes shoppings.

Entretanto, em e-commerces como Mercado Livre e Amazon Brasil (via vendedores de importação direta), o aparelho já é visto por valores que orbitam entre R$ 4.300 e R$ 4.800, evidenciando um abismo financeiro entre a garantia oficial e a realidade das ruas.

Lembrando que os produtos adquiridos via importação não contam com a mesma garantia de fábrica dos modelos vendidos pela DL Eletrônicos.

Agora, cabe a você decidir se vale a pena pagar a mais apenas por causa da garantia de fábrica.

 

Vale a pena?

O POCO X8 Pro é uma máquina de desempenho bruto e bateria infinita que perde o sentido quando olhamos para a etiqueta de preço oficial. Ele oferece uma autonomia invejável, mas falha miseravelmente ao tentar se passar por um topo de linha completo ao ignorar câmeras de zoom e carregamento sem fio.

Comprar este aparelho pelo canal oficial de R$ 7.000 é, racionalmente falando, um erro estratégico para qualquer bolso. Existem opções muito mais sofisticadas da Samsung e Apple nesta faixa de preço que entregam um conjunto de câmeras e ecossistema infinitamente superiores.

Este smartphone só faz sentido para o jogador fanático ou entusiasta de hardware que consegue comprá-lo via importação ou mercado paralelo por menos de R$ 4.500. Se você busca status ou fotografia profissional, passe longe dessa cilada gourmetizada e invista seu suado dinheiro em marcas que já sabem como tratar o segmento premium.

 

Especificações técnicas: POCO X8 Pro

  • Processador: MediaTek Dimensity 8500 Ultra (4nm).
  • Memória RAM: 12 GB LPDDR5X.
  • Armazenamento: 512 GB UFS 4.0 (sem expansão).
  • Tela: AMOLED de 6,67 polegadas, 1.5K, 144Hz, brilho de pico de 3000 nits.
  • Bateria: 6.500 mAh com carregamento rápido de 100W (com fio).
  • Câmera Principal: 50 MP (f/1.5) com OIS.
  • Câmera Ultrawide: 8 MP (f/2.2).
  • Câmera Frontal: 20 MP.
  • Vídeo: Gravação em até 4K a 60 fps.
  • Sistema Operacional: HyperOS (baseado no Android 16).
  • Conectividade: 5G, Wi-Fi 7, Bluetooth 5.4, NFC e IR Blaster.
  • Proteção: IP68 (resistência a água e poeira).
  • Dimensões: 160.5 x 74.3 x 8.3 mm.
  • Peso: 205 gramas.