
Fato: ou Sundar Pichai é um ser humano muito otimista, ou o Google está querendo enganar todo mundo com essas informações.
O Google afirmou que cada interação com a IA Gemini usa apenas 0,26 ml de água e 0,24 Wh de energia. Apenas a título de comparação: isso é o equivalente a cinco gotas de água, ou comparável a assistir nove segundos de TV.
A empresa diz ter reduzido em até 44 vezes a pegada de carbono por prompt entre 2024 e 2025, o que pode até ser verdade… em outros campos. Não exatamente para o consumo de energia necessário para o uso da inteligência artificial.
A partir de agora, menciono cinco motivos para que você desconfie do que o Google está falando.
Especialistas contestam dados apresentados
Gente que sabe mais do que eu e você não está acreditando no que o Google está falando.
Pesquisadores afirmam que os números divulgados ignoram o consumo indireto de água e o impacto energético total do uso da inteligência artificial em condições normais de temperatura e pressão.
Também criticam o uso apenas da métrica “market-based” para emissões de carbono, que não reflete a realidade das matrizes energéticas locais.
Ou seja, o Google criou uma versão alternativa das estatísticas de consumo energético.
Foco apenas na inferência, não no treinamento

O estudo analisa apenas o consumo energético durante a geração de respostas (inferência), deixando de fora o treinamento dos modelos, que costuma ter impacto ambiental muito maior.
E não podemos nos esquecer que o Gemini é treinado o tempo todo, tanto em laboratórios quanto pelas consultas dos próprios usuários.
Logo, esse consumo pode ser de milhões de litros de água. Mas o Google aparentemente ignora isso.
Falta de revisão e transparência
O relatório ainda não passou por revisão por pares, uma etapa considerada essencial para validar os dados do estudo… desenvolvido pelo próprio Google.
Aí, fica fácil: eu coloco os dados em um PowerPoint bonito, converto em PDF, mando publicar no meu site oficial é “só vamo!”
O Google, por outro lado, defende que sua metodologia é mais precisa por usar informações internas, mas promete abertura para futuras análises independentes.
Enquanto esses dados não forem revelados, detalhados e analisados, não dá para confiar cegamente nessas informações.
Ainda mais pelo fato de que estamos falando de gotas.
Crescimento do impacto ambiental total é “ignorado”

Apesar das melhorias na eficiência por prompt (o que não deixa de ser uma grande coisa se os dados forem oconfirmados (, o uso massivo da IA fez as emissões totais do Google crescerem 11% em 2024 e 51% desde 2019, sugerindo que o impacto agregado segue em alta.
O que é mais do que óbvio, já que o próprio Google enfiou o Gemini em tudo quanto é dispositivo, aumentando o seu uso pelo grande público de forma escalonada.
Muita calma, e não acredite em recortes de narrativa
Salvo uma validação dos dados do jeito que foram entregues, o que seria algo absurdamente surpreendente, tenta segurar a onda antes de elogiar o Google com essa informação.
Não estou dizendo que a gigante de Mountain View compartilhou uma fake news sobre ela mesma.
Só estou afirmando que, muito provavelmente, ela recortou a narrativa, para ter um estudo com parâmetros distorcidos, apenas para que os dados sejam mais bonitos do que realmente são.
Aguarde os especialistas analisarem esse estudo a fundo.
E voltaremos a conversar sobre isso no futuro.

