
Chegou a hora de abandonar de vez o Vivo Easy? (#SPOILER: na minha modesta opinião, a resposta é SIM, e motivos não faltam)
Os clientes do Vivo Easy (é o meu caso) receberam um comunicado de que diversos pacotes populares dentro do serviço deixarão de existir. A medida entra em vigor a partir de 9 de setembro e impacta principalmente quem busca opções mais acessíveis.
Essa mudança se soma a reajustes de preços no Vivo Easy Prime, o que deixa o serviço degradado e mais caro, o que é a combinação perfeita para promover um êxodo de clientes no serviço.
Segundo a Vivo, as renovações automáticas dos pacotes afetados serão canceladas em agosto. A decisão atinge principalmente consumidores que dependem de planos diários e de baixo custo. A empresa afirma que novas condições serão divulgadas, mas ainda não informou os detalhes.
O fim dos pacotes mais baratos e o aumento dos planos Prime geraram natural e mais do que esperada insatisfação entre clientes. A falta de informações claras no site e no aplicativo do Vivo Easy amplia o descontentamento. O comunicado oficial promete mais transparência, mas não especifica prazos para as atualizações.
Neste artigo, mostramos cinco fatores que tornam as decisões do Vivo Easy um pedido claro para que o plano seja abandonado pelos seus clientes.
Fim de pacotes populares
Entre os pacotes que serão encerrados estão a internet avulsa de 1 GB por R$ 10 e os pacotes diários de voz e SMS por R$ 1,30. Também deixarão de existir as opções com 5 e 10 diárias de voz e SMS, vendidas respectivamente por R$ 5,85 e R$ 11,05.
Essas ofertas eram bastante utilizadas por consumidores que preferiam pagar apenas pelo que usavam, descaracterizando por completo o perfil original do serviço.
O impacto da retirada desses pacotes recai especialmente sobre clientes que evitam os planos mensais tradicionais. A flexibilidade e o baixo custo eram diferenciais importantes para esse público. Sem essas opções, a alternativa pode ser migrar para planos mais caros ou buscar outras operadoras.
A decisão da Vivo reforça uma tendência do setor de reduzir a disponibilidade de opções avulsas. Isso pode favorecer planos fixos com ticket médio mais alto, mas limita a autonomia do consumidor.
Na verdade, o principal objetivo da Vivo é justamente aumentar o valor médio que cada usuário vai pagar, seja dentro do próprio Vivo Easy, seja induzindo o cliente a pagar um plano pós ou Controle, que são mais caros e contam com períodos de permanência ou fidelidade.
Essa mudança pode ainda estimular a concorrência a captar clientes insatisfeitos, movimento mais do que natural diante de tudo o que a Vivo está fazendo com essa mudança.
Reajuste no Vivo Easy Prime

O Vivo Easy Prime também sofrerá aumento de preços, atingindo todas as versões do plano. O reajuste vai de R$ 5 a R$ 6, dependendo da modalidade escolhida. Essa medida afeta tanto quem busca pacotes intermediários quanto os mais robustos.
O Easy Prime Light, com 6 GB de internet, passa de R$ 33 para R$ 38. O Easy Prime Essencial, com 9 GB, sobe de R$ 45 para R$ 50, enquanto o Easy Prime Alive, com 12 GB, aumenta de R$ 55 para R$ 60.
As opções mais caras, como o Easy Prime Super, chegam a custar absurdos R$ 105 mensais… para um serviço que, tecnicamente, é considerado um “pré-pago”, o que faz com que a Vivo deixe esse cliente de fora de vários benefícios como, por exemplo, a contratação do Vivo Play, serviço de IPTV da operadora.
A Vivo afirma que as mudanças buscam melhorar a experiência do cliente e manter a transparência. Mas a percepção de parte dos consumidores é que se trata de um aumento sem contrapartida clara.
A falta de explicações detalhadas reforça o clima de insatisfação coletiva, sem falar na remoção de direitos à comunicação eficiente sobre as mudanças.
| Serviço | Preço antigo | Preço novo | Internet |
|---|---|---|---|
| Easy Prime Light | R$ 33 | R$ 38 | 6 GB |
| Easy Prome Essencial | R$ 45 | R$ 50 | 9 GB |
| Easy Prime Alive | R$ 55 | R$ 60 | 12 GB |
| Easy Prime Especial | R$ 80 | R$ 85 | 18 GB |
| Easy Prime Super | R$ 100 | R$ 105 | 24 GB |
Comunicação ruim e prazos não respeitados
O Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações estabelece um prazo mínimo de 30 dias para avisos de encerramento de ofertas. No caso da Vivo, os comunicados surgiram apenas hoje, o que pode indicar descumprimento da regra. Caso confirmado, a empresa poderia ser questionada por consumidores ou órgãos de defesa.
A transparência prometida no comunicado ainda não se reflete em informações completas no site ou no app. Isso cria um vácuo de dados para o consumidor, que fica sem saber quais alternativas terá a partir de setembro.
O Tecnoblog informou que está buscando posicionamento oficial da Vivo sobre a situação, e até o momento que este artigo foi produzido, a operadora ainda não respondeu ao manifesto do site.
A situação também expõe um problema recorrente no mercado de telecomunicações: a comunicação insuficiente com o cliente. Alterar ofertas e reajustar preços sem informar claramente as razões mina a confiança do consumidor.
A pressão de entidades de defesa pode forçar um esclarecimento mais rápido da operadora, mas dificilmente o cenário de mudança de valores será revertido.
Chegou a hora de sair do Vivo Easy?

A retirada de pacotes e o aumento de preços podem ter reflexos na competitividade da Vivo. Clientes descontentes podem migrar para outras operadoras, especialmente aquelas que oferecem planos avulsos ou promoções temporárias, e é a concorrência que deve se beneficiar de forma direta dessas mudanças.
Ao mesmo tempo, a medida pode indicar que a Vivo aposta na fidelização por meio de planos mais completos. A estratégia, no entanto, carrega o risco de afastar o público que valoriza flexibilidade os preços reduzidos.
O grande problema dos novos planos do Vivo Easy é que não existe uma contrapartida no aumento de preços das mensalidades ou na remoção dos planos mais baratos. Não há sequer um benefício que acabe justificando o aumento.
No curto prazo, o anúncio das mudanças cria um desafio de imagem para a Vivo. O impacto da repercussão negativa pode ser reduzido se a empresa agir rapidamente na comunicação e no esclarecimento dos clientes.
Caso contrário, a insatisfação tende a crescer.
O que você, como consumidor pode fazer?
Os consumidores afetados podem recorrer aos canais de atendimento e órgãos de defesa do consumidor. O Procon e a Anatel têm competência para intermediar reclamações e verificar se houve descumprimento de normas. Em alguns casos, é possível exigir manutenção temporária das condições originais.
Lembrando sempre que a Vivo, em teoria, está descumprindo que a legislação brasileira diz sobre a comunicação clara para mudanças de valores nos planos de telecomunicações, pois não respeitou o prazo mínimo de 30 dias para anunciar as alterações.
Sem falar que a Vivo também retira do cliente o direito de permanecer no plano antigo e com os valores vigentes (no caso dos planos Vivo Easy Prime), obrigando todos a simplesmente abraçarem o aumento de preços.
Na Claro, quem permaneceu nos planos antigos continua a pagar o valor da época, mantendo todos os benefícios – incluindo o zero rating, que foi extinto de todas as operadoras.
E essa mesma prática da Vivo já tem precedente jurídico contrário, uma vez que a Amazon tentou a mesma coisa no Prime Video, e até o presente momento, está proibida de inserir publicidade nos planos antigos (e cobrar R$ 10 a mais por mês para remover as propagandas).
A pressão popular também pode levar a Vivo a rever parte da decisão. Historicamente, as operadoras já recuaram de mudanças após forte repercussão negativa, mas sinceramente duvido que isso aconteça com uma operadora que já deu sinais claros de que não se importa muito com o que os seus clientes pensam.
O resultado positivo para uma eventual reversão no reajuste dependerá do alcance e intensidade das críticas.
Conselho final?
Se puder, mude de operadora, mesmo que as outras opções passem bem longe de serem boas o suficiente.
Porque, depois dessa, o Vivo Easy está morto e enterrado.

