
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a protagonizar uma ofensiva econômica com impactos globais ao anunciar tarifas de 100% sobre a importação de chips e semicondutores. A medida afeta diretamente as principais empresas de tecnologia do mundo, incluindo gigantes como Apple, Samsung e TSMC.
A essa altura do campeonato, todo mundo já sabe o que Trump quer: forçar a internalização da produção tecnológica, beneficiando a indústria norte-americana e reforçando a soberania produtiva do país.
Como resposta imediata, a Apple anunciou um plano robusto de investimento nos Estados Unidos, comprometendo-se com US$ 600 bilhões em produção nacional nos próximos quatro anos. O movimento busca mitigar os impactos das novas tarifas, manter relações favoráveis com a Casa Branca e, acima de tudo, preservar sua competitividade no mercado norte-americano.
É correto dizer que, com essa decisão, a Apple “abriu as pernas” para Donald Trump. E neste artigo, vamos mostrar cinco fatos que confirmam essa rendição de Tim Cook para o presidente norte-americano.
As novas tarifas de 100% sobre chips e semicondutores

O governo Trump estabeleceu tarifas de 100% para chips e semicondutores importados, pressionando empresas estrangeiras a transferirem suas linhas de produção para os Estados Unidos.
A estratégia é agressiva, mas não definitiva: Trump sinalizou que está disposto a conceder isenções a empresas que demonstrem intenções claras de produção em solo americano.
Apesar da falta de detalhamento sobre os critérios que definem esses “compromissos aceitáveis”, o discurso oficial é direto para as empresas que produzem os semicondutores nos EUA, pois elas não serão penalizadas.
Quem tem que se preocupar são os fabricantes que operam principalmente na Ásia, como TSMC, Samsung e a própria Apple que, por várias oportunidades, afirmou que a produção local de hardware seria uma tarefa muito complexa.
Com a imposição dessas tarifas, a administração Trump busca criar um ecossistema de produção de chips mais independente, enfrentando não apenas a concorrência chinesa, mas também redes logísticas globais que colocam os EUA em posição vulnerável.
Diante da pressão tarifária estabelecida por Trump, Tim Cook e sua turma não encontraram outra alternativa.
A resposta imediata da Apple com um mega investimento

A presença de Tim Cook no anúncio das tarifas não foi mera coincidência. Pelo contrário: é o sinal mais claro de que a Apple está fazendo de tudo para acalmar Donald Trump e sua sanha de nacionalismo de produção.
Durante o evento, o CEO da Apple revelou o plano de investimento de US$ 600 bilhões para fortalecer a produção nacional da empresa, ampliando uma iniciativa anterior de US$ 500 bilhões.
Esse investimento será distribuído ao longo de quatro anos e envolverá parcerias com ao menos 10 companhias, operando em 79 fábricas espalhadas pelo país, o que indica que finalmente a Apple se mostra disposta a produzir os seus principais produtos integralmente em solo norte-americano.
A ação não apenas busca neutralizar os efeitos das tarifas, mas também simboliza uma aproximação estratégica entre Apple e o governo Trump. Algo que já estava acontecendo desde o início do segundo mandato de Donald, mas nunca com um posicionamento tão enfático.

Em outras oportunidades, Tim Cook até tentou argumentar sobre a inviabilidade de fabricação do iPhone em território norte-americano. Mas 100% de impostos fizeram com que o CEO da Apple mudasse de ideia rapidamente.
Ainda que os detalhes sobre os tipos de componentes a serem produzidos internamente não tenham sido divulgados, o movimento sinaliza uma tentativa da Apple de proteger sua margem de lucro e sua reputação pública nos Estados Unidos.
Porém, diante do exposto, o aumento de preços dos seus produtos nos Estados Unidos é algo quase inevitável. A não ser que a própria Apple decida subsidiar os dispositivos para que o consumidor final não pague um valor alto demais por um iPhone “Made in USA”.
Vamos ver como que o mercado vai reagir a tudo isso. Se as ações da Apple despencarem nos próximos dias, você já sabe por que isso aconteceu.
A Corning foi envolvida nesse contexto

Como parte do pacote de concessões, a Apple anunciou que o vidro temperado de seus dispositivos passará a ser fabricado exclusivamente nos Estados Unidos pela Corning, tradicional parceira da empresa. A medida tem um peso simbólico importante, mas impacto limitado na cadeia produtiva global.
A montagem final dos iPhones, iPads e Apple Watches continuará sendo feita na Ásia, principalmente na Índia. Isso significa que o vidro produzido em Kentucky precisará ser exportado, para depois os dispositivos prontos serem reimportados aos EUA, tornando o processo mais caro e menos eficiente.
Aqui, testemunhamos mais um movimento desesperado da Apple em agradar Trump, pois (em teoria) a empresa está disposta a abraçar o prejuízo e pagar a conta para ter o máximo de componentes possível fabricado nos Estados Unidos.
Só que o grande problema é que os custos de produção só vão aumentar por fazer um componente sair do país, ir até a Ásia ou a Índia para se integrar ao produto final, e voltar mais caro para os Estados Unidos quando estiver pronto.
É uma conta que simplesmente não fecha. E, aparentemente, a Apple não vai repassar esses custos para os clientes. Ou vai, disfarçado de novos recursos cosméticos que “explicam” (mas não justificam) um iPhone US$ 100 mais caro em uma nova geração.
A Corning, que já possui fábricas em países como China, Coreia do Sul e Taiwan, apenas intensifica sua presença nos Estados Unidos com esse novo acordo. Ela certamente sai ganhando com esse movimento.
No fim, a mudança serve mais para a narrativa do que para a logística. E Trump acreditar nisso fala muito mais sobre ele do que muitas coisas que ele diz ou faz.
A Apple ferrando com Samsung e TSMC com esse movimento

Além do fato de a Apple “se vender” para Trump para manter a sua retórica de empresa comprometida com o “Made in USA”, a empresa consegue, por tabela, complicar ainda mais a vida dos seus concorrentes diretos na produção de semicondutores.
A Samsung, que também seria fortemente impactada pelas tarifas, já vinha realizando investimentos nos EUA, inclusive com uma fábrica de chips no Texas. Ela e as demais terão que seguir investindo no território norte-americano para driblar tais tarifas.
Por outro lado, a concorrência estimou que Trump faria isso antes da Apple, e adotou medidas preventivas para mitigar os efeitos dessas decisões. Segundo a imprensa sul-coreana, empresas como Samsung e SK Hynix devem ser isentas das tarifas, por já demonstrarem comprometimento com a produção local.
O mesmo se aplica à TSMC, que anunciou no último ano uma ampla iniciativa de produção em Arizona, com aporte de US$ 100 bilhões. A estratégia dessas gigantes asiáticas parece ser mais funcional para se manterem sustentáveis diante do novo cenário.
O reposicionamento estratégico é vital em um momento de tensão crescente entre Estados Unidos e China, e mostra como as grandes empresas de tecnologia estão dispostas a se adaptar para manter o acesso ao mercado norte-americano.
E a Apple não é diferente ou especial apenas porque fabrica o iPhone. Bom, pelo menos na cabeça de Trump não é.
Que a Apple lide com o dilema da produção local

Apesar do esforço político e simbólico de internalizar a produção, fabricar nos Estados Unidos ainda é significativamente mais caro do que em países asiáticos, e isso não vai mudar tão cedo.
A Apple vai precisar construir fábricas e formar mão de obra especializada para a produção dos seus produtos, e com o mesmo nível de qualidade e excelência que estamos acostumados. E tudo isso vai sair bem caro para a empresa.
Além disso, a cadeia de suprimentos consolidada na Ásia é extremamente eficiente e difícil de replicar em curto prazo. Em longo prazo, os US$ 600 bilhões que a Apple vai investir podem custar bem mais para os cofres da empresa, com um retorno comercial que vai levar muito mais do que quatro anos para se reverter em lucros.
A necessidade de reajuste estratégico para atender à uma pressão política é um alto preço a ser pago para não ter um prejuízo enorme na percepção pública da marca junto ao seu principal mercado consumidor.
Porém, é uma estratégica que, de forma quase inevitável, compromete a logística dos produtos. Como tudo ainda será montado fora dos Estados Unidos (já que o que será produzido envolve as etapas menos complexas do processo), a Apple terá que pagar (e muito caro) as consequências em ceder tanto para o presidente norte-americano.
Ou repassar os custos para o consumidor que aceita pagar o que for para ter um iPhone no bolso.
O futuro dirá se essa estratégia é sustentável ou se é apenas uma resposta de curto prazo a uma ameaça tarifária.
Por ora, o gesto atende aos interesses da Casa Branca e protege os principais players do setor tecnológico nos Estados Unidos.
E ver a Apple “abrindo as pernas” dessa forma para Donald Trump é algo quase emblemático.
É simbólico.
Mostra o que se tornou a “America” hoje.
BÔNUS: A Apple fez uma estátua de ouro e vidro de 24K para Donald Trump

Sério… isso realmente aconteceu.
Tim Cook presenteou Trump com uma peça única de vidro Corning com base de ouro 24K. É um grande disco com o logo da Apple com o nome do presidente dos Estados Unidos gravado nele.
E se isso não é um pedido explícito de “me f0d3 com força…”, eu não sei mais o que pode ser.
Via The Verge

