
A Huawei voltou ao Brasil. E rapidamente nos lembramos por que ninguém sentia saudades dela.
A fabricante chinesa oficializou seu retorno ao mercado brasileiro de dispositivos móveis nesta terça-feira, 17 de junho, após um hiato de aproximadamente cinco anos. A empresa havia deixado o cenário nacional em 2020 devido às complexas dinâmicas comerciais e geopolíticas que afetaram suas operações globalmente.
O retorno marca uma estratégia claramente focada no segmento premium (ou melhor, ultra-premium), com a apresentação de produtos que estabelecem novos patamares de preços no mercado nacional. A companhia decidiu posicionar-se no topo da pirâmide de consumo tecnológico, priorizando inovação e qualidade em detrimento da massificação.
O movimento é um teste para medir a capacidade da Huawei de reconquistar espaço em um dos maiores mercados de tecnologia da América Latina, especialmente considerando as mudanças ocorridas no ecossistema móvel brasileiro durante sua ausência.
E se a Huawei está cobrando R$ 33 mil em um smartphone com dobra tripla, é porque ela sabe que tem gente que é trouxa o suficiente para pagar esse valor absurdo neste produto.
Smartphones dobráveis lideram o portfólio

O destaque absoluto do lançamento concentra-se em dois dispositivos dobráveis que redefinem os valores praticados no mercado brasileiro.
O Mate XT Ultimate Design, equipado com três telas, chega ao país com o obsceno preço de R$ 33 mil, estabelecendo um novo recorde nacional para dispositivos móveis.
O segundo modelo, Mate X6, oferece configuração de duas telas dobráveis por R$ 23 mil, mantendo-se ainda assim em patamar superior aos concorrentes diretos.
Ambos os dispositivos superam o Honor Magic V3, que anteriormente detinha a posição de smartphone mais caro do Brasil com valor de R$ 20 mil.
Estes preços posicionam a Huawei definitivamente no segmento ultra-premium, direcionando seus produtos para um nicho específico de consumidores dispostos a investir valores elevados em tecnologia de ponta.
E para quem vai pagar esse preço pelos dois modelos, eu desejo boa sorte. Ou que mande um Pix para ajudar a manter o TargetHD.net no ar (apesar de te chamar de trouxa no começo do artigo – e peço desculpas por isso, pois fui movido pela inveja combinada com a revolta).
Os problemas no ecossistema de software

Ambos os modelos operam com o Harmony OS, sistema proprietário desenvolvido pela Huawei como alternativa ao Android. Os aplicativos serão disponibilizados através da Huawei Store, plataforma própria da empresa que busca contornar as restrições impostas ao uso dos serviços Google.
A questão do sistema operacional representa o principal desafio técnico e comercial para o sucesso dos novos dispositivos no mercado brasileiro. O Harmony OS oferece compatibilidade com aplicativos Android, porém através de interfaces específicas que podem impactar a experiência do usuário.
A empresa não apresentou detalhes sobre planos de atualização para o Harmony Next, versão que teoricamente elimina completamente a compatibilidade com o ecossistema Google. Esta incerteza pode afetar a confiança de consumidores dependentes de aplicativos essenciais como WhatsApp, Instagram e serviços bancários.
O mercado brasileiro caracteriza-se pelo uso intensivo de aplicativos governamentais, serviços bancários digitais e pagamentos via PIX, criando dependência crítica do ecossistema Android/Google. A capacidade da Huawei de garantir funcionamento pleno destes serviços será determinante para o sucesso comercial.
Pelo menos não pesou a mão nos gadgets vestíveis
A estratégia de retorno inclui também uma linha robusta de dispositivos vestíveis, encabeçada pelos smartwatches da série Watch. O modelo top de linha Watch 5 oferece opções de 46mm e 42mm, com preços iniciando em R$ 4,5 mil e podendo alcançar R$ 6 mil na versão mais completa.
Os modelos intermediários Watch Fit 4 Pro e Watch Fit 4 chegam por R$ 2,5 mil e R$ 1,5 mil, respectivamente, completando um portfólio que posiciona a Huawei entre as principais fabricantes de dispositivos vestíveis premium no país. A empresa já possui histórico de sucesso neste segmento no mercado brasileiro.
O portfólio inclui ainda o roteador WiFi 7 Mesh X1 Pro por R$ 1,5 mil, demonstrando a intenção da empresa de atuar em múltiplas frentes do mercado de tecnologia doméstica. Esta diversificação busca criar um ecossistema integrado de produtos Huawei.
Parcerias estratégicas e planos de expansão

A Huawei estabeleceu parceria estratégica com a operadora Claro para lançamento dos smartwatches com funcionalidade Claro Sync, permitindo compartilhamento de linha telefônica entre celular e relógio inteligente.
A operadora vê esta parceria como estratégia de incentivo ao uso das redes 5G, possibilitando maior conectividade para seus clientes. Márcio Carvalho, CMO da Claro, destacou a aposta da empresa neste tipo de diferencial comercial.
Andy Fang, CEO da divisão de dispositivos da Huawei no Brasil, confirmou planos para abertura da primeira loja física da marca no país, sem revelar localização específica. A loja conceito busca oferecer experiência premium compatível com o posicionamento dos produtos.
O preço é justo?

Justo não é, mas não tem muito o que fazer aqui.
A Huawei não fabrica os seus smartphones no Brasil, e vai importar os dois modelos. E até mesmo lá fora esses smartphones custam bem mais caro do que qualquer outro telefone disponível no mercado, dobrável ou não.
O mundo perfeito PARA NÓS seria ter os telefones da Huawei com preços mais competitivos. E isso já acontece, através da sua submarca, a Honor.
Porém, não faz nem um mês que a mesma Honor lançou o seu dobrável por R$ 20 mil. E todo mundo achou isso um absurdo.
Logo, o grande problema que Huawei e Honor estão criando é abrir uma “licença poética” para que outras empresas que fabricam smartphones dobráveis a cobrar preços ainda mais obscenos para esse formato de dispositivo.
É uma escolha de Sofia: ou recebemos produtos de ponta – e pagamos o nosso pâncreas por eles – ou ficamos à margem do que há de melhor e importamos tudo.
Duvido que até mesmo quem tem dinheiro infinito vai comprar esses smartphones.
Via Teletime

