Compartilhe

Hoje se completa 30 anos desde que Tim Berners-Lee escreveu a proposta de um sistema de distribuição de documentos de hipertexto ou hipermídia interconectada e acessível via Internet. Esse seria o embrião da rede informática de âmbito mundial, que hoje conhecemos como World Wide Web.

Antes de prosseguir, é preciso esclarecer uma coisa muito importante.

O que comemora 30 anos de vida hoje é a World Wide Web, a rede mundial de computadores através de um protocolo específico, que atua na Internet, que nasceu bem antes. Logo, não é a Internet que completa 30 anos de vida, mas sim a tal WWW.

Berners-Lee apenas queria criar uma ferramenta que economizasse o tempo de deslocamento de um edifício a outro na Universidade de Oxford, solucionando a incompatibilidade entre computadores da instituição acadêmica. No final das contas, entregou uma ideia revolucionária.

 

 

Sua proposta estava bem longe da World Wide Web que vemos hoje. Era um documento muito técnico, mas já considerado como um espaço livre e aberto para a humanidade compartilhar ideias e conhecimentos. Já no CERN, Berners-Lee apresentou uma revisão da proposta original, e a sua ideia começou a se tornar um grande projeto, e a primeira comunicação entre um cliente e um servidor utilizando o protocolo HTTP aconteceu, assim como a primeira página Web, o primeiro navegador da história, o primeiro diretório Web e o primeiro servidor Web montado sobre um NeXTcube.

Tanto a internet (que utiliza os protocolos TCP/IP) e o hipertexto (onde o WWW se baseia) foram criados décadas antes. O grande mérito de Berners-Lee foi unir as duas tecnologias. Não era o seu objetivo inicial, mas foi a primeira ideia para um conceito que se transformou em padrão para o mundo.

 

 

30 anos de World Wide Web, e ainda há muito por fazer

 

 

Faz um bom tempo que o ‘pai’ da Web não está totalmente satisfeito com o que aconteceu com o seu ‘invento’, nem do funcionamento da Internet atual. De tempos em tempos ele deixa claro esse descontentamento, e esse ano não ia ser diferente.

“É preciso uma ação global para abordar a decadência até um futuro disfuncional da web.”

Sua criação se transformou em “um adolescente com problemas”, e considera que a sua missão pessoal é voltar a colocar a Web de novo no caminho correto. Ele pede por uma Internet mais segura, privada e neutra, cumprindo os principais objetivos da rede desde a sua criação:

“Uma plataforma aberta que permite a todos e em qualquer lugar compartilhar informação, oferecendo oportunidades de acesso e colaboração através de fronteiras geográficas e culturais.”

Problemas como a falta de controle de nossos dados pessoais, a fácil disseminação de informação falsa na web e a publicidade política online que não oferece o mínimo de transparência são discutidos de forma ampla e irrestrita por Berners-Lee, que entende que tais pontos precisam ser resolvidos para a WWW voltar a abraçar os seus valores originais.

 

 

Solid – o contrato para a Web

 

 

Berners-Lee se posicionou em várias oportunidades contra o uso das grandes empresas de Internet e de governos, alertando sobre a necessidade de re-descentralizar a Internet para oferecer um controle maior aos usuários e garantir uma Internet mais segura, privada e neutra.

Para isso, ele está trabalhando com investigadores do MIT e de outros centros para desenvolver o Solid, um projeto de código aberto que pretende “restaurar o poder dos indivíduos na web”, mudando radicalmente a WWW ao oferecer ao cidadão digital o controle total sobre os seus dados.

A ideia é criar um “contrato para a web”, com o objetivo de reconstruir a confiança e aumentar o acesso à Internet em termos justos e acessíveis ao alentar os governos, as empresas e os indivíduos a trabalhar juntos. Para tudo funcionar, toda a sociedade precisa contribuir, de usuários a líderes empresariais e políticos.

“Necessitamos de defensores da web aberta dentro do governo: funcionários públicos e funcionários eleitos que tomarão medidas seguindo os interesses do setor privado ameaçam o bem público e que se levantem para proteger a web aberta.”

Quem apoia o “contrato” espera publicar os termos completos do documento em maio de 2019. Essa é a nova proposta para melhorar a WWW original, que depois de 30 anos de atividades, precisa se renovar e se reinventar.

Lembrando que mais da metade da população mundial está nesse momento conectada na World Wide Web.

 

 

Via CERN


Compartilhe