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2026 pode ser “o ano do Linux no notebook”?

Parece que “agora vai”.

A piada do “o ano X é o ano do Linux no desktop” vem perdendo força a cada ano, e sou testemunha disso. O sistema operacional está se popularizando em frentes inesperadas, é líder nos servidores e conquistou os gamers de forma inesperada.

E isso, porque nem mencionei a sua dominância no Android. Mas alguns leitores não estão preparados para essa conversa.

Agora, o Linux está conquistando os notebooks. E o motivo para isso não poderia ser outro: a inteligência artificial.

Ou melhor… o desejo de algumas pessoas se distanciarem dela.

 

O que está acontecendo?

O Konstantin Tuv, VP de Produto da Dell, fez uma fala recente ao Tecnoblog afirmando que o Linux está ganhando espaço entre os usuários que querem fugir do excesso de inteligência artificial e das chamadas “bugigangas” do Windows.

É claro que o sistema operacional de código aberto não chega perto da solução da Microsoft em volume de vendas, mas o executivo afirma que a demanda pela plataforma alternativa está aumentando gradativamente.

É claro que a Dell está advogando em causa própria neste caso.

A empresa trabalha com a Intel e com a equipe da distro Omarchy (baseada em Arch Linux, com Hyprland), liderada por David Heinemeier Hansson (DHH), criador do Ruby on Rails.

Esse grupo de empresas trabalha em soluções pensadas nesse grupo em específico, o que resulta em notebooks que são compatíveis com o kernel temporário “linux-ptl”, que é compatível com a nova geração de processadores Intel Panther Lake.

Por regra, novos processadores não contam com suporte imediato para o Linux, e o kernel em conjunto é uma solução para garantir o funcionamento completo dos equipamentos com o sistema operacional.

Modelos como XPS 14 e 15 da Dell já contam com o suporte ao linux-ptl quando o Omarchy é instalado nos equipamentos. No futuro, o kernel temporário será substituído pelo Linux 7.0 quando estiver pronto.

A principal vantagem dessa parceria é que outras distros (como Ubuntu) e outros notebooks com Panther Lake também podem usar a solução da Dell.

 

2026 é mesmo o ano do Linux no notebook?

Tudo leva a crer que SIM, mas não quero criar falsas expectativas nos mais empolgados.

É correto dizer que existe um grupo de usuários que está se distanciando do Windows por conta de todos os “slops” possíveis e imagináveis que o sistema operacional da Microsoft oferece neste momento.

E esse contingente não é pequeno. Especialmente entre os membros da Geração Z e programadores, que focam na objetividade e criatividade própria no desenvolvimento de seus projetos.

Por outro lado, a própria Microsoft sabe disso, e corre atrás do prejuízo, entregando as versões com IoT LTSC (que são mais enxutas e sem crapwares), além de reduzir a presença do Copilot no Windows.

O que o Linux oferece neste sentido é a total liberdade de escolha. É o usuário que decide ser vai usar ou não a IA no notebook e, mesmo assim, com elevadas chances de uso online de forma exclusiva.

Mas não deixa de ser interessante ver uma parceira histórica da Microsoft como a Dell buscar outras alternativas. E mais interessante ainda é pensar que a gigante de Redmond aparentemente não se opõe a isso.

O alinhamento dos astros pode favorecer o Linux no notebook. Muito mais do que uma disputa entre plataformas.

Ou a própria sustentabilidade dos respectivos negócios dos envolvidos.